Mosca negra afeta produção de laranja em Sergipe

Apesar de ser o quarto maior produtor de laranja do Brasil, Sergipe vem sofrendo há dois anos com a mosca negra, uma praga que vem afetando a produção de laranja e contribuindo significativamente para a queda da renda dos produtores e catadores, além de afetar fortemente a produção de suco de laranja nas indústrias do estado, visto que o suco é o maior item exportado pelo estado para diversos países na Europa, Ásia e Américas.

Um dos efeitos consideráveis apontado pelos produtores é a possível perda de 80% da produção, causada pela praga. Outro número mais recente que também mostra uma queda na produção, foi divulgado pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, que apontou em novembro último que a safra do produto em Sergipe deve cair em 2015.

Diante desse quadro, diversos produtores têm procurado os agentes financeiros em busca de financiamento para o custeio da cultura, e assim realizar os tratos necessários para o controle das pragas e doenças. Porém, grande parte deles são pequenos produtores e devido à queda expressiva na produção que pode chegar ou ultrapassar os 80%, muitos já pensam inclusive em abandonar a citricultura e se dedicar a outras culturas.

Adicionalmente ao problema financeiro, devido à baixa na produção, os produtores não podem contrair novas operações de crédito por causa da cobrança do licenciamento ambiental imposto a eles pelos agentes financeiros como condição para tomada do crédito. No entanto, a obtenção desse licenciamento é demasiadamente demorada e pode colocar a perder um importante setor que contribui significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) e as exportações do estado, com grandes efeitos para trás e para frente na geração de emprego e renda.

Uma alternativa para o setor seria a ampliação da dispensa de licenciamento já estabelecida para alguns empreendimentos pela Resolução CEMA nº 06/2012. Para o Presidente da FIES, Eduardo Prado de Oliveira, “o momento que vivemos é bastante delicado. Prova disso são as dificuldades de caixa experimentadas pelo próprio Governo do Estado. É importante encontrar saídas emergenciais e isso só será possível possibilitando que os segmentos produtivos tomem fôlego, permitindo que se mantenha a atividade produtiva e a produção, o emprego e a renda, sem o que não também não haverá tributos”.

Para o empresário é importante que os organismos ambientais se somem neste sentido e que o próprio Legislativo, se necessário, respalde esses órgãos à decisões tão necessárias, tirando da zona de risco a atividade citrícola sergipana.

Fonte: FIES