Bancada sergipana diverge sobre impeachment da presidente Dilma

Foi eleita na quinta-feira (17), a Comissão Especial destinada a apurar o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff (PT), acatado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no dia 2 de dezembro do ano passado.

Os acontecimentos recentes esquentaram o cenário político nacional. Áudios de ligações telefônicas vazados, nomeação, suspensão e cancelamento da suspensão do ex-presidente Lula da Silva (PT) como ministro, constantes manifestações contrárias e a favor do governo Dilma. Enfim, o país vive um dos momentos mais delicados de sua história.

Na bancada sergipana também estão acirrados os ânimos dos oito deputados prós e contrários ao impeachment da presidente.

O deputado Laércio Oliveira (SDD) entende que o povo perdeu a confiança no governo, sobretudo por conta do agravamento da crise econômica. Para o parlamentar, ninguém acredita que a situação vai melhorar no médio prazo, desde empresas, famílias, prestadores de serviços se esse governo permanecer.

“Sou a favor do impeachment por causa da falta de confiança no governo brasileiro. O PIB de 2015 caiu 3,8%, numa das piores recessões da história do país. A indústria recuou 6,2% no ano. O imenso setor de serviços também foi afetado com uma baixa de 2,7%. O consumo das famílias caiu 4%. O investimento recuou espantosos 14%. Talvez esse seja o pior indicador, porque os investimentos são uma aposta no futuro da economia. Os investimentos também são um termômetro da confiança no governo. A falta de confiança contribuiu para as agências de classificação de risco rebaixarem o Brasil ao nível de investimento especulativo. Há razões econômicas e políticas para tanta desconfiança. 

O governo vem demonstrando que é incapaz ou não deseja mudar a política econômica.  O governo precisa cortar gastos e buscar maior eficiência.  E a sociedade deve continuar apoiando o Poder Judiciário na luta contra a corrupção”, argumenta Laércio. 

Para o líder do PSC, André Moura, a renúncia ou o impeachment são os únicos caminhos viáveis para a estabilidade do país. “Não podemos permitir que a presidente Dilma e o ex-presidente Lula zombem da população brasileira e ignorem os protestos que estão acontecendo por todo o país. Estamos diante de verdadeiros abusos, de descaso com as instituições da República, em especial o Judiciário. Aos poucos o Governo está perdendo importantes aliados, porque a situação já está insustentável”, contesta.

Durante a eleição da Comissão, o deputado Fábio Mitidieri (PMDB) postou um vídeo aonde diz ser um momento histórico, porém, triste. “Esta casa tem a responsabilidade e eu como membro, de analisarmos a juridicidade e a legalidade do processo, mas estamos ouvindo também as vozes que vêm das ruas”. Em resposta a uma internauta em sua rede social, o deputado demonstrou dúvida quanto ao impeachment. “Sempre fui contra o impeachment, mas estou buscando analisar o processo e conciliar as vozes das ruas. Pressão comigo, não adianta. Faz parte da política e decidirei com a minha consciência. Não é um ato simples, é algo único e que envolve a vida de 200.000.000 de brasileiros”.

Já Valadares Filho (PSB), em sua rede social defendeu que, diante da atual crise política e econômica em que vive o Brasil o momento exige muita maturidade e ao mesmo tempo firmeza com as ações necessárias para resolver a situação do país. F5 News tentou falar com a assessoria de imprensa do deputado para saber se ele é a favor ou contra o impeachment, que ficou de retornar com a resposta.

Obviamente, o deputado João Daniel (PT) é terminantemente contra o impeachment. Ontem, na Câmara dos Deputados, o deputado lembrou da manifestação a ser realizada hoje em apoio à presidente. Para ele, o impeachment, é sim, um golpe contra a democracia e a tentativa de criar crimes não cometidos pela presidente Dilma. 

“O Brasil inteiro, os democráticos, da militância do movimento popular, sindical, dos partidos de esquerda do Brasil vão as ruas mais uma vez para defender a democracia, a justiça e não ao golpe. Por isso temos certeza que o nosso país não se renderá aos golpistas que nessa tribuna e nas ruas prega na violência, prega o fim da nossa Constituição e querem destituir pela força e pelo ódio um governo legítimo eleito. Viva o presidente Lula! Que junto com a presidente Dilma, junto com as forças progressistas deste país haverão de vencer, mantendo a democracia e construir essa nação cada dia mais justa, livre e soberana”.

F5 News procurou os demais parlamentares que representam o Estado de Sergipe para comentar se são a favor ou contra a saída de Dilma. Um deles, o deputado federal Adelson Barreto (PTB), os telefonemas para os números disponíveis do gabinete e da assessoria não foram atendidos. E em sua rede social não há comentário sobre o assunto.

Tentamos contato ainda com o deputado pastor Jony Marcos (PRB), a assessoria de imprensa também ficou de enviar resposta. Já com Fábio Reis (PMDB) a equipe de reportagem conseguiu falar através do número de celular. O deputado chegou a atender a ligação, mas assim que lhe foi perguntado se era a favor ou contra o impeachment, a ligação caiu. A equipe ainda retornou as ligações por várias vezes, mas sem êxito.

Comissão

Os 65 membros e os respectivos suplentes indicados pelos líderes partidários foram eleitos em votação aberta com 433 votos favoráveis e um contrário à chapa. Pela proporcionalidade das bancadas, PT e PMDB serão os dois partidos com mais integrantes na comissão, oito cada. O PSDB terá seis representantes. O deputado Jovair Arantes (PTB-GO), aliado de Cunha, foi eleito o relator do colegiado. Para presidir a comissão, foi eleito Rogério Rosso (PSD-DF). A tramitação do processo de impeachment na Casa deve levar 45 dias.

A primeira reunião da Comissão aconteceu na noite de ontem na Câmara dos Deputados. A presidente Dilma terá dez sessões para apresentar sua defesa, e o colegiado, outras cinco para concluir o parecer. O relatório terá de ser votado em plenário. Com 342 votos favoráveis na Câmara, a abertura do processo vai para o Senado, que pode garantir a instauração do processo ou arquivá-lo.

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