Sergipe é segundo estado que mais desperdiça água no país

Neste 22 de março, dia mundial da água, responda a seguinte questão: Como você utiliza esse líquido essencial para a existência humana? Para os aracajuanos, a resposta não é nada satisfatória. Uma pesquisa divulgada este ano pelo Ministério das Cidades revelou que mais da metade da água produzida na capital sergipana vai literalmente pelo ralo. Sergipe é o segundo estado que mais desperdiça água no país e, para  Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), isso é culpa da negligência dos sergipanos no uso e preservação dos recursos hídricos.

O diagnóstico do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS) aponta que, em 2014 – ano de referência -, o sergipano consumiu em média 120,7 litros de água por dia, o que representou 8% a mais do que os três anos anteriores. 

No entanto, quase 60% da água tratada não foi utilizada corretamente, o que coloca Aracaju entre as seis capitais que mais desperdiçam água no país.

“Na Grande Aracaju, há índices alarmantes de uso indiscriminado da água. Em localidades como o Bairro Santa Maria (Aracaju), Parque dos Faróis e Complexo Taiçoca (Nossa Senhora do Socorro), as comunidades ultrapassam o consumo do triplo da recomendação diária. A média de consumo por pessoa, nesses locais, é de mais de 400 litros por dia”, observa o técnico da área ambiental da Deso, Eder Menezes.

Há quase três anos a Deso lançou um programa para combater o desperdício e reduzir a 35% os níveis de perda na região metropolitana de Aracaju, mas até agora a meta ainda não foi alcançada. Segundo a companhia, entre os fatores que dificultam essa missão estão os vazamentos, falta de hidrômetros, erros de medição e ligações clandestinas.

“A região foi dividida em 47 Distritos de Medição e Controle (DMCs), onde é possível identificar com mais precisão o volume de água consumida pelos clientes, em busca de possíveis situações anômalas, que serão devidamente corrigidas.  As ações da Deso envolvem ainda planos de gestão de perdas, indicadores setoriais, incremento da hidrometração, com substituição de hidrômetros obsoletos, retirada de vazamentos visíveis e não visíveis, vistorias para detecção de ligações clandestinas, além de um programa de educação ambiental, com enfoque na sustentabilidade e no combate ao desperdício”, explica o técnico.

O especialista alerta que tão importante quanto as ações da Companhia é a conscientização de cada consumidor, priorizando a economia de água e observando vazamentos. “São ações simples, mas negligenciadas pelos sergipanos. Sergipe também tem uma das tarifas de água mais acessíveis do país e a cultura do “eu pago a conta, posso gastar o quanto quiser”, ainda é muito arraigada aqui”, indica Cansino.

Zerar o desperdício de água no país pode parecer uma realidade distante, mas alguns países dão o exemplo de que é possível. Segundo dados apresentados por Eder, em Israel, localizado em pleno deserto do Oriente Médio, além do controle eficaz do uso da água, o tratamento e reuso da água residuária são vitais: 91% do esgoto é coletado e 80% dele é tratado e reutilizado para a agricultura na parte Sul do país. Na Califórnia (EUA) há uma multa no valor de US$ 500 (cerca de 2 mil reais) para quem for flagrado desperdiçando água. Já no Japão, o grande trunfo é a educação. A conscientização dos japoneses, aliada às obras de infraestrutura, tornam um país um dos recordistas mundiais de economia de água, com apenas 5% de perdas por vazamento ou fraudes, enquanto no Brasil, o índice chega a 39% e em Sergipe a 51%.

Eder lembra que essas conquistas se deram a longo prazo, com a criação de leis claras e rígidas para o uso da água, sistemas de economia e regulação. "E, claro, com conscientização maciça por parte da população”, completa o técnico ambiental.

Will Rodriguez/F5 News