Cerca de 130 mil pessoas estão negativadas em Sergipe, diz CDL

A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) registrou um aumento de 8% no número de inadimplentes em Sergipe, no primeiro quadrimestre deste ano. De acordo com os dados, cerca de 130 mil sergipanos estão negativados. E isso, para o presidente da entidade, Breno Barreto (foto), é reflexo do cenário político e, principalmente, da alta taxa de desemprego verificada no estado e em todo o Brasil.

No país, mais de 10 milhões de pessoas ficaram sem emprego. Cerca de 8 mil sergipanos perderam postos formais de trabalho no primeiro trimestre de 2016. Nos últimos 12 meses, foram 13.543 vagas de trabalho a menos, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Segundo Barreto, são 130 mil sergipanos negativados, muitos inadimplentes não só no comércio, como também com a Companhia de Saneamento de Sergipe - Deso - e o Detran. “Não é só uma negativação feita no comércio, as instituições também estão se precavendo”, afirma.

E este cenário, segundo o presidente da CDL, afeta diretamente a confiança do empresário com os governos e a relação comércio-consumidor. Os atrasos nos pagamentos dos salários dos servidores estaduais, por exemplo, do 13º, além do déficit na previdência, colocam em dúvida a saúde financeira do Estado e da própria União, apesar dos esforços ditos pelos governantes em adequar as receitas às despesas.

“Os empresários vêm passando desde o final do ano passado por um processo de descrença do governo. O mercado externo rebaixou a nota do Brasil e isso é uma sinalização do que os credores têm da gente. Se os consumidores não estão tendo crédito, limita o seu poder de compra a simplesmente comprar à vista; se está no SPC, perde o poder de barganha. Aconselho as pessoas que estão no SPC a tentar procurar o seu credor para poder quitar mesmo com pedido de empréstimo, com uma taxa de juros mais abaixo, caso seja um cartão de crédito ou instituição, até desfazer de um bem momentaneamente para poder se tornar adimplente novamente. Só depende da condição financeira da pessoa”, avalia.

Em casos de inadimplência, as empresas ou instituições financeiras tentam abdicar de algumas multas e baixar juros dando voto de crédito ao consumidor, postergando cobranças e até dividindo em mais parcelas, como acontece no Feirão do Limpa Nome realizado em Aracaju. No entanto, a preocupação é com aquele endividado que também está desempregado. “O desempregado se ainda tem o seguro desemprego vai usar o dinheiro para sua subsistência. Se está devendo, não vai negociar sem ter certeza que vai poder honrar. Como é crescente cada vez mais o número de desempregados isso é o que nos preocupa, em curto espaço de tempo recolocar uma boa parte desse pessoal no comércio formal”, explica.

Para o empresário, ainda é muito cedo para avaliar como poderá ficar o cenário nos próximos meses. “Vai depender do grau de credibilidade entre governo e mercado financeiro. O que vejo hoje é que a palavra de ordem é trabalhar, não ficar esperando dias melhores porque não vai acontecer nada em curto espaço de tempo, até porque o próprio governo precisa de um tempo para poder se adequar. Algumas medidas tomadas já sinalizaram um equilíbrio nas contas, vamos ver o que vai ser feito em cima do planejamento nas finanças para também dar essa segurança no mercado financeiro”, completa Barreto.

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