Exploração agropecuária ameaça mananciais sergipanos

O avanço da exploração agrícola e pecuária de forma desenfreada é apontado pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento como a principal fonte poluidora de mananciais e degradação do solo. O manejo de culturas em áreas onde não há aptidão, uso de fertilizantes, pisoteio do gado, são algumas ações que acarretam em prejuízos ao meio ambiente, à sociedade humana e interferem no trabalho da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso).

A Companhia levanta relatórios para controle interno e para alertar os órgãos competentes sobre ações de produtores rurais que ameaçam a qualidade e quantidade dos recursos hídricos utilizados para o abastecimento.

“Alguns dos municípios que nós atendemos são abastecidos por  microbacias com vazão mínima, onde qualquer interferência sem estudo de impacto pode afetar toda uma população”, explica o Gerente de Meio Ambiente da Deso, Cláudio Júlio.

Casos alarmantes

Em Boquim, a captação que abastece a cidade é feita no Riacho do Grilo. O córrego tem sofrido com o risco de poluição por manipueira, devido, principalmente, ao trabalho de casas de farinha nas proximidades do manancial.

Depois que a mandioca é prensada, ela elimina este líquido amarelo (manipueira) que, de acordo com pesquisadores, é um agente poluidor dezenas de vezes superior ao esgoto doméstico.  

De acordo com o Superintendente de Sistemas Regionais de Água, Carlos Anderson, nos períodos chuvosos, a Deso é forçada a diminuir a utilização das águas do riacho, porque  quantidade de material tóxico carreado chega a níveis muito elevados. “Foi preciso estudar alternativas para abastecer e cidade de Boquim e ficou definido utilizar alguns poços no município de Salgado para suprir a demanda do município vizinho. A adutora é de 4,5 km e está em fase de conclusão ”, diz ele.  

Em Cristinápolis, a água disponível para abastecimento é ameaçada outra ação antrópica: represamentos irregulares no Riacho Brejo. A Diretoria de Operação da Deso identificou, ainda em 2015, que um proprietário rural da região estava sendo responsável pelo desabastecimento da cidade. O homem construiu uma barragem e mantinha uma bomba muito potente funcionando para irrigar sua plantação intensiva, sem autorga de órgãos ambientais.

O barramento irregular do manancial, além de extraviar a água antes que ela chegue ao ponto de captação, na vazão necessária, compromete a sobrevivência do corpo hídrico.

A Companhia acionou o Ministério Público, que, por sua vez, chegou a abrir uma ação contra o proprietário. Mas,o problema se repete em todo o estado.

Outros exemplos

No município de Santo Amaro das Brotas, a captação irregular associada à condição climática já chegou a interferir diretamente no abastecimento. “O riachinho é tão pequeno que a gente quase não tem como colocar o aparelho para medir vazão. Ele concentra em um ponto, que é onde fazemos a captação. A questão é que os vizinhos perfuraram poços e estão tirando água antes que ela chegue no final do curso. A retirada está sendo maior que a capacidade de reposição e sem chuva isso piora ”, diz Cláudio Júlio.

O represamento feito sem autorização da Agência Nacional de Águas - ANA (nos casos de rios federais) e  Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos- Semarh (para os estaduais), é crime ambiental, segundo a lei 9605/98.

A Deso realiza vistorias e monitora a qualidade e quantidade da água nas proximidades das áreas onde realiza captação para informar ao órgãos competentes a fim de prevenir esta e outras ações que colocam em risco o meio ambiente. Mas cada cidadão também deve fazer a sua parte e denunciar casos suspeitos à Polícia Ambiental (PPAmb) pelo telefone (79) 3226-7100.

Fonte: Deso