Passeio no sertão e festa em Aracaju, Tocha Olímpica chega a Sergipe

Um dia para presenciar a história passando em frente a janela de casa. Na manhã deste sábado, 28 de maio, a Tocha Olímpica chegou a Sergipe em clima de celebração. A primeira parada foi por volta das 7 horas da manhã. De barco, ela deu um passeio pelo Rio São Francisco e visitou um dos maiores cartões postais do estado, o Cânion de Xingó. A primeira condutora foi a estudante Glícia Vasconcelos Santos, de 23 anos, moradora da cidade. 

Em solo, o revezamento começou com protestos contra a administração do município por parte dos servidores públicos, mas em seguida o clima amenizou e a chama olímpica seguiu o trajeto dela pelas ruas de Canindé. O passeio pelo sertão sergipano ainda teve parada em Poço Redondo, onde foi recepcionada por vaqueiros e integrantes da "cavalhada", manifestação popular também tradicional no município.

Em Poço Redondo, a tocha teve alguns condutores ilustres. Um deles foi o ex-árbitro Sidrack Marinho, eleito por duas vezes o melhor árbitro do país na década de 90.

- Eu que tive uma história no esporte me sinto muito honrado de fazer parte de um momento como esse. É uma emoção muito grande poder conduzir a tocha no nosso estado. É um momento especial - disse Sidrack.

Outro personagem importante do futebol que conduziu a Tocha Olímpica foi o ex-atacante Tailson. Natural de Nossa Senhora da Glória, ele teve a oportunidade de carregar a chama na cidade natal. 

O gloriense de 40 anos jogou no Japão, na China, em Portugal e passou por vários clubes do futebol brasileiro, dentre eles o Botafogo.

- É um orgulho muito grande poder conduzir a tocha olímpica no meu país. É um momento que nós nunca vamos nos esquecer. Ver a história passando em frente a porta da nossa casa. Pra quem é do esporte, para quem vive o esporte como eu vivo, esse momento é muito gratificante e com certeza vai ficar na memória- disse emocionado.

Depois de Nossa Senhora da Glória, foi a vez de a chama olímpica passar por Nossa Senhora das Dores. A cada parada, era possível presenciar uma enorme euforia por parte do público. A Tocha Olímpica foi recebida com muita festa e manifestações culturais em cada localidade. Dores foi a última parada antes de chegar em Aracaju.

A chegada na capital sergipana foi com atraso de uma hora e com muita chuva. No alto da Colina do Santo Antônio um bom público para recepcionar a chama olímpica e cada condutor. Até a chuva não quis perder o momento, compareceu bem no instante em que o fogo subia a ladeira em direção a igreja de Santo Antônio, localizada no ponto onde 161 anos atrás Aracaju foi fundada. A primeira foi a assistente social Roberta Salgado. Ela iniciou os trabalhos. Desceu a ladeira com a tocha na mão ao som de muitos aplausos dos espectadores que estavam eufóricos, apesar da forte chuva que caía. 

- Eu não sabia que seria a primeira, fui avisada no ônibus que nos trouxe até a Colina. Foi uma surpresa para mim. É um momento muito especial, estou muito feliz e espero que esse símbolo olímpico possa trazer a paz para todos e aquela vontade de lutar sempre que só o brasileiro tem  - destacou a assistente social.

E quando o comboio passou pelos Mercados Municipais, mais água, mais chuva. Mesmo assim a nem chama olímpica nem a empolgação dos condutores e do público "se apagava". Crianças, adolescentes, adultos, idosos...ninguém queria ficar de fora do momento histórico. Teve até palhaço para animar ainda mais o Tour da Tocha em Aracaju. Na Av. Ivo do Prado teve até protesto pedindo a saída de Michel Temer da presidência da república. Os atletas paralímpicos Angelo Alves, do vôlei sentado, e Maria Gilda, campeã brasileira de parabadminton, também participaram do revezamento. Destaque no futsal nacional, o sergipano Bebeto marcou presença na festa e conduziu a chama.

- Realmente, uma honra muito grande, sou grato a Deus por isso, por poder participar desse momento histórico ainda mais na minha cidade, perto dos familiares e amigos. Alguns alunos meus estiveram também no percurso. Foi um momento muito mágico, maravilhoso e espero ter passado ao público um pouco da emoção que senti enquanto conduzi a chama olímpica naqueles 200 metros - comentou Bebeto.

Em alguns momentos a chuva deu trégua, mas quando o comboio apontou na Orla da Atalaia não teve jeito. Todo mundo de pegou o guarda-chuva para se proteger, pois mais uma vez a chuva voltou. E quem fez parte da reta final do revezamento na noite deste sábado foi a ex-ginasta olímpica Larissa Barata, a sergipana ficou muito emocionada e disse que não conseguia parar de lembrar a experiência que teve na Olimpíada de Atenas, em 2004.

- Estou muito agradecida. Pra mim, é de suma importância participar desse momento, pois eu vivi os Jogos Olímpicos em 2004 e hoje bateu aquela saudade, aquela lembrança de todos os flashes quando entramos no ginásio lá em Atenas para competir. Tudo isso passou pela minha cabeça enquanto eu conduzia o fogo olímpico. Foi tudo muito lindo, emocionante e inesquecível - resumiu Larissa Barata. 

Enquanto isso, na praça de eventos da Orla, antes do acendimento da pira, lutadores do programa Bolsa Atleta de Aracaju promoveram clínicas de artes marciais no palco da cerimônia de celebração. Com eles, o público aprendeu algumas técnicas de judô, kung-fu e karatê. Além das artes marciais, também foram promovidas aulas de dança e capoeira antes do acendimento da pira de celebração.  

E Quem encerrou o revezamento foi Sandy Lima, a Sandyalê. A cantora e compositora aracajuana com influências do reggae, música brasileira, europeia e africana passou pelo corredor criado na praça de eventos, subiu ao palco e acendeu a pira de celebração. Depois disso, os sergipanos e turistas presentes puderam dançar ao som da banda Forró dos Vips para fechar o dia de celebrações no estado. Na manhã deste domingo, a Tocha Olímpica sai de Aracaju, passa por Propriá, onde se despede de Sergipe, e vai para Alagoas. 

Globo Esporte / SE