Quatro unidades da Polícia Civil são paralisadas em Sergipe

Quatro delegacias, uma de Aracaju (SE) e três do interior do estado, estão fechadas para atendimento à população, em protesto dos delegados de Polícia Civil. A categoria esteve, na manhã desta quinta-feira (01), em frente ao Palácio dos Despachos, na avenida Adélia Franco, para cobrar uma reunião com o governador Jackson Barreto. Eles suspenderam todos as visitas e os plantões nessas unidades, que abrigam mais de 300 presos, os quais segundo a Secretaria de Segurança Pública não têm previsão de serem transferidos.No estado existem cerca de 100 unidades, entre as metropolitanas, especializadas e delegacias municipais. 

Somente na capital, são 38 incluindo metropolitanas, especializadas e departamentos. Dos plantões que são localizados no interior em cinco delegacias, apenas em Itabaiana continuará funcionando normalmente com o plantão ordinário, onde equipes se revezam. 

Já os de Propriá, Estância, Lagarto e Nossa Senhora da Glória estão suspensos.“Esses plantões são dados por delegados que têm suas atividades em outras unidades e laboram extraordinariamente. O atendimento das ocorrências feito pelos delegados que acumularam delegacias vai ser suspenso até que o governo nos receba”, afirma Paulo Márcio, presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil (Adepol)

.As unidades foram devolvidas por ofício em comunicado ontem à tarde ao delegado-geral, Alessandro Vieira. A  informação é que as ocorrências sejam encaminhadas à sede da regional.Já na capital, estão mantidos os dois plantões ordinários na 3º Delegacia Metropolitana – plantonista Zona Norte, no bairro Santos Dumont, e na 4º DM – plantonista Zona Sul, conjunto Augusto Franco. Ficam suspensos os plantões sobreaviso na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Com a suspensão, Paulo Márcio acredita que em Aracaju não haverá problemas por conta da quantidade de delegacias e do funcionamento de duas plantonistas à noite. “O problema maior está no interior, mas que assim vem sendo relegado pelo governo, não só no que diz respeito à correção das tabelas de plantão, mas também em razão da falta de efetivo e do acúmulo extraordinário de funções sem previsão legal, sem contrapartida financeira, sem nenhuma garantia para o delegado que labora em duas, três, quatro cidades somando mais de 20 mil habitantes”, ressalta.

Os delegados cobram, antes que os deputados entrem em recesso, que o governador encaminhe à Assembleia Legislativa os projetos de lei da categoria que regulamenta os plantões, reestrutura a carreira e põe fim ao acúmulo de delegacias. Além disso, pedem que seja solucionado o aumento do número de presos em delegacias. “Hoje não tem para onde encaminhar o preso, não tem mais vagas nas delegacias e o Desipe se nega a receber. É uma situação causada pela falta de uma política penitenciária, pela falência do sistema prisional. 

Nós não podemos sofrer as consequências dessa falta de planejamento”, diz o delegado.A convite do vice-governador, Belivaldo Chagas, os delegados devem ser recebidos para uma reunião. Mas a categoria cobra um encontro com o governador.SinpolAgentes e escrivães da Polícia Civil também pretendem decretar greve, a decisão deve ser tomada em assembleia nesta sexta (2). 

Eles reclamam da superlotação nas delegacias, baixo efetivo, desvio de função - quando acumula atribuição de agente prisional- e de que há mais de sete anos estão sem receber reposição de perda inflacionária.“Todos nós somos maltratados pelo governo, há muito tempo a segurança está sucateada e quem sofre é o cidadão. 

Como vamos combater e mudar o panorama do estado mais violento do país? O governo faz muito pouco pela segurança pública. O maior responsável é o governo do Estado. Clamamos desde 2015 para resolução de problemas principais, nenhum foi resolvido”, afirma o presidente do Sinpol, João Alexandre Fernandes.

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