Sergipe desativa metade dos leitos pediátricos em seis anos

Entre 2010 e 2016, o Sistema Único de Saúde (SUS) fechou metade dos leitos de internação em pediatria clínica (para pacientes de 0 a 18 anos) em Sergipe, segundo levantamento inédito feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). 

As informações foram levantadas por meio do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde e, de acordo com a SBP, preocupam especialistas.Os números mostram que, em 2010, o estado dispunha de 477 leitos pediátricos para uso exclusivo do SUS. Já em novembro passado (último dado disponível), o total baixou para 236 – uma queda de 50%. A capital sergipana que tinha 151 leitos pediátricos em 2010 terminou o ano passado com 120.A SBP também calculou a taxa de leitos pediátricos disponíveis para cada grupo de 10 mil pessoas entre 0 e 18 anos. 

Em Sergipe, havia, há seis anos, uma média de 6.3 vagas para cada 10 mil pacientes. No ano passado, esse número caiu para 3.A presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luciana Rodrigues Silva, atribui a situação à falta de investimento do Ministério da Saúde na área. “Muitos serviços estão fechando as portas por uma questão financeira. 

Há ainda casos de unidades desativadas porque não têm profissionais suficientes no quadro”, disse à Agência Estado.A redução do número de leitos, segundo a entidade, tem impacto direto no atendimento, provocando atrasos no diagnóstico e no início do tratamento de uma população que vem aumentando.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que a análise da oferta de leitos para crianças deve considerar mudanças no perfil epidemiológico e uma tendência mundial de desospitalização. 

Desta forma, segundo a pasta, tratamentos que antes exigiam internação passaram a ser feitos no âmbito ambulatorial e domiciliar.“Nessa lógica, o Ministério da Saúde, nos últimos anos, investiu na expansão de leitos pediátricos e neonatais para atendimento de maior complexidade, destinados a pacientes graves e que exigem maior estrutura e esforço de profissionais. 

O crescimento da oferta de leitos para esses casos foi de 15% entre 2010 e 2016, totalizando atualmente mais de 10,6 mil leitos no SUS”, destacou.

Com Agência Brasil