Homicídios de mulheres crescem em Sergipe

Nas últimas semanas os casos de homicídio contra a mulher têm sido recorrentes em Sergipe, seja por serem vítimas de violência doméstica, em decorrência da violência urbana ou, simplesmente, por ser mulher.Somente este mês, três mulheres foram mortas, outra vítima conseguiu sobreviver à tentativa de homicídio. 

Em março, mais três tiveram suas vidas ceifadas e uma senhora idosa resistiu após o filho atentar contra a sua vida.Em grande parte dos casos de crimes contra as mulheres, elas são vítimas dos próprios companheiros ou de algum membro da família. Atualmente são investigados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil, devido à demanda que tem surgido.Este ano, Sergipe já registrou mais de 40% dos homicídios de mulheres do que em todo o ano passado. 

Conforme dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Ceacrim), até o dia 24 de abril ocorreram 23 homicídios – proporção de um caso e meio em uma semana. Em 2016, foram 51 casos – um caso em uma semana. Já em 2015 ocorreram 62 homicídios contra a mulher.

As ocorrências de 2016 em relação ao ano anterior tiveram queda, mas a tendência é que os números desse ano voltem ao que foi registrado em 2015, tendo em vista que nesse primeiro quadrimestre já foi registrado quase a metade do universo de 2016. 

É possível dizer que toda a semana uma mulher é assassinada no estado.Segundo o delegado Jonathas Evangelista, todos os casos de homicídios estão com inquéritos abertos, sendo separados entre homicídio contra a mulher e feminicídio, que recebeu modificação recente no Código Penal.

“O feminicídio é quando tem relação ao fato de ser mulher (crime de gênero) ou pelo vínculo familiar. Ou seja, seria homicídio dentro de violência doméstica, o crime praticado contra a mulher por vínculos amorosos, familiares, ou pela própria condição de ser mulher, por razões da condição de sexo feminino. Já o homicídio é sem nenhuma vinculação pelo fato de ser mulher ou tipo de violência doméstica, mas por qualquer outra ação em que a mulher foi vítima”, explica o delegado.Casos de feminicídio também foram registrados no estado. 

De março de 2016 a abril 2017 já houve sete mortes, sendo dois casos em Aracaju, quatro em Nossa Senhora do Socorro e um em São Cristóvão.Sem freioQuando a agressão não leva à morte, deixa marcas difíceis de apagar. A Delegacia da Mulher já registrou 911 casos de violência contra mulher este ano e a previsão é que termine o mês de abril com mais de mil ocorrências.

Os dados da Polícia Civil mostram que mais de sete mulheres denunciam violência doméstica todos os dias em Sergipe, sem contar os casos subnotificados em que as vítimas, por medo, repressão ou dependência emocional, acabam não denunciando. A delegacia alerta que no primeiro ato de violência denuncie no 180.VítimasUma senhora de 68 anos, Maria Helena Santos, foi morta a tiros na madrugada do dia 23 deste mês, no povoado Paraguai, município de Aquidabã, agreste sergipano. O suspeito de cometer o crime é o marido da vítima. 

O crime aconteceu na residência do casal.No domingo de páscoa (16), no povoado Lagoa Redonda, em Porto da Folha (SE), Francilene Freitas Costa, 30, foi assassinada durante a realização de uma seresta em um bar. Segundo a polícia, o principal suspeito de cometer o crime é o ex-marido da vítima, de quem estava separada há dois anos.

Uma universitária de 19 anos foi morta a facadas, no dia 10, em um apartamento do bairro Coroa do Meio, zona sul de Aracaju. O companheiro da vítima é apontado como o autor do homicídio. Yasmin Costa dos Santos era estudante do curso de Física na Universidade Federal de Sergipe (UFS). No dia 4, outra mulher conseguiu sobreviver a golpes de faca desferidos pelo próprio namorado, quando estavam em um veículo numa avenida do conjunto Marcos Freire 2, município de Nossa Senhora do Socorro, na grande Aracaju.

No dia 30 de março, houve um duplo-homicídio, mãe e filho foram assassinados na cidade de Poço Redondo, no alto sertão sergipano. Também, uma passageira de um ônibus interestadual foi morta a tiros, na noite do dia 20, durante um assalto em um ponto de apoio da empresa de transporte na cidade de Propriá, no norte de Sergipe.No dia 5, em uma festa de ressaca de Carnaval, Elen Alice Menezes Santos, de 14 anos, morreu em um tiroteio nas imediações da avenida São Paulo, no bairro Siqueira Campos, zona Oeste da Capital. Mais uma pessoa morreu e outras quatro ficaram feridas. 

Fernanda Araujo / F5 News