Índice de vítimas de queda cresce mais de 60% no Huse

Entre as incidências de atendimentos de queda no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), a de pessoas que caem da própria altura é a mais comum. No primeiro trimestre de 2016 deram entrada na unidade 346 pacientes. Esse número subiu para 561 no mesmo período deste ano, o que representa um acréscimo de, aproximadamente, 62%. 

As altas médicas somaram 286 no primeiro trimestre de 2016 e no mesmo período de 2017, o total de 456, quase 63% a mais, o que também aponta para o grau de resolutividade do hospital, que é apropriado para atendimentos de alta complexidade.“Mais comum em idosos, a osteoporose e osteoartrose, doenças ósseo-metabólicas silenciosas, provocam fraturas em função da fragilidade óssea do paciente. Em decorrência disso, acontece a queda da própria altura. 

Ou seja, o osso quebra antes da queda, sendo ela consequência, não necessariamente a causa da fratura”, comentou o profissional referência técnica em ortopedia no Huse, Antônio Cabral.Antônio ressalta que entre as fraturas mais comuns estão as de colo do fêmur, que além de apresentar grande índice de ocorrências, estão associadas à baixa condição de sobrevida do paciente. “A maior parte dos usuários do SUS que chegam ao Huse após queda da própria altura possuem idade acima de 50 anos, sendo que a maior parte deles já possui problemas de saúde que impulsionaram a queda. A incidência desse fato é ainda mais frequente em regiões onde a população não tem tanto acesso à informação e aos cuidados necessários à prevenção dessas quedas”, pontuou.

O especialista considera que esses incidentes poderiam ser evitados com algumas medidas pontuais, voltadas à prevenção. “A queda pode ser amenizada pelo idoso a partir de certos cuidados com o ambiente onde ele reside, a exemplo de iluminação de presença (sem interruptor), visto que se levanta muito à noite, ambiente mais limpo possível, ausência de tapetes, móveis bem dimensionados, barras em banheiros que facilitem seu asseio e outros cuidados inerentes à própria idade, respeitando a sua individualidade”, explicou.

Os cuidados necessários à prevenção das doenças ósseo-metabólicas incluem atividade física regular, reposição de cálcio, exposição saudável ao sol para captação de vitamina D, alimentação saudável, controle anual através de densitometria óssea, tratamento de doenças pré-existentes e eliminação de fatores de risco, como alcoolismo, tabagismo, obesidade e sedentarismo. “Mesmo a osteoporose sendo uma enfermidade considerada incurável, o objetivo do tratamento é exatamente o controle. 

As doenças preexistentes que contribuem para osteoporose devem ser tratadas, ou seja, a queda da própria altura se previne com cuidados”, concluiu o especialista.Vítima de queda da própria altura, Luzia Oliveira Santana, 78 anos, é natural de Lagarto, região Centro-Sul de Sergipe, e recebeu atendimento no Huse devido a uma queda. "Estava tomando banho quando caí e com isso inflamei a oitava vértebra da coluna cervical. 

Ao chegar ao hospital tive a coluna imobilizada e estou em observação, fazendo exames e raio X”, contou a paciente, que  aguarda por cirurgia. Otávio Barbosa Mota, 91, também sofreu um incidente de queda em casa. “Tentei deitar no meu quarto quando estava escuro, escorreguei e caí. Nessa queda fraturei o fêmur da perna esquerda”, detalhou. Ele passou por exames e também aguarda por cirurgia.

Fonte: Agência Sergipe