Morte por infarto na rede pública de Sergipe é o dobro da rede privada

Pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Universidade Tiradentes (Unit) realizaram um mapeamento, durante quase dois anos de trabalho, que demonstra que o número de mortes por infarto na rede pública é o dobro da rede privada no estado.

Segundo o cardiologista e pesquisador, José Augusto Barreto Filho, o trabalho coletou dados de aproximadamente 700 pacientes e continua a ser realizado em parceria com profissionais dos hospitais Cirurgia, São Lucas, do Coração e Primavera.

A pesquisa reuniu dados referentes desde a dor do paciente, os remédios administrados no atendimento, exames e taxas de internamento. “Existe um padrão de métrica de qualidade internacional americano que é seguido em casos de infarto, que prevê a realização de eletrocardiograma nos 10 primeiros minutos de atendimento, e cateterismo, caso necessário, em até 90 minutos. 

Mas isso não é realizado na rede pública. Além disso, é necessário dispor de médicos treinados para aplicar o trombolítico e realizar o cateterismo quando necessário”, explicou.

Entre os pontos identificados na pesquisa o médico ressaltou a deficiência no atendimento de infartados em unidades de saúde em todo estado. “Em alguns municípios o atendimento a esses pacientes funciona como na década de 70 e 80. 

Um infartado nessas localidades muito provavelmente será encaminhado ao Hospital de Urgência de Sergipe, que vai organizar a sua transferência para o Hospital Cirurgia, já que o Huse não dispõe de uma estrutura para atender a esses pacientes. O hospital não disponibiliza o trombolítico [medicamento usado para emergência de infartados e não realiza cateterismo por exemplo”.

“Existe uma cadeia desarticulada no atendimento aos infartados. É preciso a união de forças da sociedade para que isso seja mudado. Até porque muitos desses pacientes morrem antes de chegar a um atendimento, por conta das distâncias e da falta de estruturas próximo aos locais onde eles estão”.

Para o pesquisador um dos caminhos para mudar o atual quadro do atendimento as vítimas de infarto em Sergipe é a realização de políticas públicas baseadas na ciência e com base no que de fato ocorre na rotina dos atendimentos prestados aos pacientes. “É necessário que os secretários da área de saúde realizem um debate mais amplo com toda a sociedade e que fortaleçam a criação de políticas públicas”.

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que vai enviar uma nota oficial se posicionando sobre os problemas apontados na pesquisa.

G1/SE