Sergipe desperdiça 53% da água tratada, aponta relatório

Mais da metade da água tratada para consumo é perdida antes de chegar às torneiras da população em Sergipe. Isso é o que aponta um relatório divulgado nesta segunda-feira (15) pela Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (Fies), com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).De acordo com o estudo, no ano passado, 53.12% da água potável foi perdida. A taxa é bem superior à média nacional, que é de 36,7% de perdas de água. O número representa 100 milhões de litros de água desperdiçados.

Os dados colocam o estado na quinta colocação no ranking nacional e como o segundo estado que mais desperdiça água no Nordeste, perdendo apenas para o Maranhão, onde o volume de perdas alcança 62,6%.As perdas antes que a água chegue ao consumidor final provém sobretudo de vazamentos e ligações clandestinas.“Esses vazamentos são verificados principalmente em tubulações da rede de distribuição, provocados especialmente pelo excesso de pressão em regiões com grande variação de relevo”, destaca o relatório.

Outro problema apontado pelo estudo são os chamados “gatos”, ou seja, é água que foi efetivamente utilizada, porém não foi medida e deixou de gerar faturamento à empresa prestadora do serviço.De acordo com a Fies, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) é a 13ª empresa que mais deixa de lucrar com essa perda. A cada R$ 100 mil faturados, outros R$ 42 mil se perdem.

Os ‘ralos’ 

As perdas de água representam um dos maiores desafios e dificuldades para a expansão das redes de distribuição de água no Brasil, conforme relata um estudo do Instituto Trata Brasil lançado no ano passado.Segundo o Trata Brasil, estados com elevados índices de perdas de faturamento, como é o caso de Sergipe, não conseguem obter arrecadação para cobrir as despesas de suas empresas de saneamento. “Caso todo o país conseguisse baixar suas perdas financeiras com a água a um índice de 20%,  haveria um aumento na receita operacional da ordem dos R$ 10,32 bilhões/ano”, conclui o instituto.

Na avaliação da Fies, os dados evidenciam um problema nacional que, somado à má qualidade do serviço de saneamento básico, reduz a produtividade dos trabalhadores, aumenta os custos de implantação de unidades industriais e compromete o desenvolvimento da economia.Além disso, a Federação enfatiza que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada US$ 1 investido em água e saneamento, são economizados US$ 4,3 em custos de saúde no mundo.

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