Servidores denunciam suposto assédio moral no Samu de SE

O Sindicato dos Condutores de Ambulâncias de Sergipe (Sindconam) denunciam assédio moral e perseguição na Superintendência do Samu. Profissionais alegam que estão trabalhando sob tom de ameaças por parte da atual gestão. Os servidores gravaram ligações com o superintendente, Márcio França, indicando um suposto assédio.Segundo o sindicato, dois funcionários foram transferidos para outras bases sem justificativa, um condutor teria que mudar de veículo. 

Em um dos casos, conforme o presidente Adilson Ferreira, um servidor da base da Barra dos Coqueiros recebeu falta no trabalho e deverá retornar para o município de Estância por ter se negado a ir para a base de Aracaju, mesmo não sendo seu ambiente de trabalho.“Na Barra dos Coqueiros já tem mais de dois meses que está sem viatura e a população desassistida porque a gestão não consegue consertar os veículos. Aí fica tentando manipular o servidor de um lado para outro. 

O erro é da gestão em não consertar o carro”, apontou Ferreira. em entrevista à TV AtalaiaEm uma das conversas gravadas, o superintendente fala com um técnico de enfermagem, que não foi identificado. 

O técnico questiona o motivo de ter sido transferido da base da Barra dos Coqueiros para Aracaju. França responde que a base da Barra dos Coqueiros está sem ambulância e por isso o servidor seria realocado. 

O técnico, por sua vez, rebate que Aracaju não faz parte da regional da Barra e diz que não vai para a capital.“Quando a gente tem ocorrência aqui na Barra, Aracaju nunca pode vir, quem vem é Socorro. A relação é grande, é muita coisa. Quando a gente tem viatura na Barra, a gente até ajuda o pessoal de Aracaju como você mesmo é testemunha. Mas eu não vou estar pagando”, diz o servidor. Nesse momento o superintendente questiona “você não vem para Aracaju, né  isso?”, e o técnico responde que não.“Você vai ser colocado falta no dia, depois requeira judicialmente seus direitos. 

Estou abrindo processo de sindicância contra você, e já que você não tem conhecimento do fim da regionalização, ainda não foi comunicado, também estou lhe devolvendo para Estância através de documento. Se você não se apresentar lá, em 15 dias dentro do seu plantão, eu abro processo de demissão sua por abandono de emprego”, fala o superintendente.

No mesmo dia o servidor recebeu uma notificação assinada pelo superintendente a qual diz: “O Colaborador está remanejado temporariamente para a base da Barra dos Coqueiros, porém a viatura está baixada devido a problemas mecânicos, tem sido solicitado o remanejamento do servidor para prestar assistência na Base de Aracaju, com a garantia do transporte de ida e volta da base de origem. Porém o mesmo vem apresentando negativa para o remanejamento tanto à Supervisão da CRU, a sua Coordenação de Enfermagem e hoje à Superintendência. 

Diante disto, na data de hoje fica o servidor ciente que está dispensado das suas atividades laborais do plantão, com ônus do dia na sua frequência e que a partir da próxima semana, 26 de junho, retornará para a sua Regional de origem (Estância) com base de dia do acordo com a sua Responsável Técnica de Enfermagem”.O sindicato denuncia ainda que Márcio França acumula duas funções na mesma pasta, o de técnico de enfermagem, que é concursado, e o de superintendente.A Secretaria de Estado da Saúde informa que nos casos houve foi uma tentativa de garantir o bom funcionamento do Samu com a organização de atividades de apenas dois funcionários, os quais se recusaram a fazer o serviço para o qual foram contratados. 

De acordo com a secretaria a Lei garante que o gestor possa fazer mudanças a depender da necessidade do sistema, sempre resguardando a função de cada servidor conforme artigo 2° da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT).A SES nega ainda o acúmulo de funções por parte do superintendente. “Por um erro administrativo e de forma equivocada aparece o cargo de técnico de enfermagem, cuja profissão o superintendente nunca exerceu. 

Portanto, não houve uma dupla remuneração conforme divulgado. Um ofício já foi encaminhado à Seplag para a devida correção, que será encaminhada ao Portal da Transparência. Ao assumir o cargo de superintendente do Samu, não houve dois pagamentos. Apenas o do cargo atual”, conclui a nota.

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