HIV: quase seis mil pessoas foram infectadas desde 1987 em Sergipe

Quase seis mil cidadãos foram infectados pelo HIV no Estado de Sergipe desde 1987, segundo informações do Programa Estadual IST/Aids, da Secretaria de Estado da Saúde (SES). Porém, o homem ou a mulher que se expôs a alguma situação de risco de infecção pelo HIV tem tempo máximo de 72 horas para procurar um serviço de urgência. Os riscos podem surgir numa relação sexual sem camisinha ou até mesmo no rompimento do preservativo, num acidente com agulha ou com outro instrumento perfurocortante. A atitude que pode evitar a infecção é a utilização da Profilaxia Pós-exposição ao HIV (PEP).

A PEP consiste em o paciente tomar medicamentos antirretrovirais após ter sido exposto ao HIV. Isso faz com que sejam reduzidas as chances de se tornar HIV positivo. Esses medicamentos podem ser encontrados no Centro de Especialidades Médicas de Aracaju (Cemar), em horário comercial, bem como nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Doutor Nestor Piva, localizada no bairro 18 do Forte, e Fernando Franco, localizada no Conjunto Augusto Franco.

A PEP também pode ser adquirida nos hospitais regionais de Lagarto, Nossa Senhora da Glória e Itabaiana, estando propensa a ser disponibilizada nas demais unidades regionais do interior de Sergipe. Segundo o médico e coordenador do Programa Estadual IST/Aids, Almir Santana, mesmo tendo o paciente o tempo máximo de 72 horas para adquirir os medicamentos antirretrovirais, o ideal é que o mesmo faça uso nas primeiras duas horas após o risco de infecção.

“Quando chega na unidade de saúde o paciente faz o teste de HIV e, em seguida, leva a medicação para casa. Após um mês, repete o teste, cujo resultado é obtido automaticamente para saber se já era infectado. Se der negativo, repete após 30 dias, mas se der positivo vai completar o diagnóstico e iniciar o tratamento”, explicou Almir Santana, que mantém através da SES, ações de prevenção com disponibilização de preservativos e ministração de palestras educativas junto à população, a fim de evitar a disseminação dessa e de outras infecções sexualmente transmissíveis.

Vida sexual

No que diz respeito à infecção pelo HIV na vida sexual, as situações de risco onde a PEP pode ser indicada estão relacionadas à violência sexual, ao sexo oral, anal ou vaginal sem preservativo ou quando ocorreu rompimento da camisinha. Em casos de relação sexual sem camisinha com pessoa que tem sorologia positiva para o HIV e quando há relação sexual sem camisinha com pessoa com sorologia desconhecida para o HIV, também há indicação para a profilaxia pós-exposição ao vírus.  Em todos esses casos o profissional da saúde avaliará o risco que houve na relação sexual e indicará ou não a PEP.

Vida profissional

Os profissionais de saúde correm o risco de lesões provocadas por dispositivos usados para cortar ou perfurar a pele. “A maioria dos acidentes sofridos por profissionais de saúde é causada por agulhas e cada acidente constitui um risco de exposição a diversas infecções, inclusive a infecção pelo HIV. Também nesses casos o profissional do serviço de urgência avaliará o risco ao qual está sujeito o profissional em questão, em sua respectiva atividade ocupacional. A partir daí ele indicará ou não a PEP”, acrescentou o médico.

Uso da PEP

A PEP não é indicada para todos e nem deve ser usada a qualquer momento. Ao adquirir os medicamentos, o paciente deve fazer uso corretamente durante 28 dias sucessivos e sem interrupção. A adesão ao tratamento é fundamental para a eficácia da PEP e só deve ser utilizado imediatamente após uma situação especial de urgência com potencial exposição ao HIV.

“A PEP não pode ser usada como rotina para prevenção ao HIV, ou seja, não é recomendada para os casos repetidos de não uso da camisinha. É muito importante não dispensar a camisinha, pois a relação sexual sem preservativos pode levar a transmissão não apenas do HIV, mas também da sífilis, gonorréia, herpes genital, HPV e hepatites virais, por isso a melhor forma de prevenção é o uso da camisinha nas relações sexuais”, frisou o coordenador do Programa Estadual IST/Aids.

Almir Santana ainda orienta a população quanto à observação do prazo de validade apresentado nas embalagens da camisinha. Os preservativos podem ser adquiridos gratuitamente por todos os cidadãos, na unidade de saúde mais próxima de suas residências, e pode proteger os usuários do HIV/Aids, da sífilis e das hepatites B e C.

Fonte: ascom SES