Delator diz que André Moura tratou de propina e cargos com Cunha

Em depoimento à Procuradoria-Geral da República (PGR), o operador financeiro Lúcio Funaro afirmou que o deputado federal André Moura (PSC/SE), líder do governo Temer no Congresso Nacional, está na lista de parlamentares que negociaram propina com o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

Segundo ele, Cunha funcionava como "um banco de corrupção de políticos". Os vídeos do depoimento foram divulgados pelo site da Câmara dos Deputados.Em nota, o deputado André Moura disse que as declarações do doleiro têm a intenção de “abrandar a pena pelos muitos crimes por ele cometidos”. "Tenho a consciência tranquila quanto à correção dos meus atos”, afirmou ainda.

O parlamentar sergipano é citado em um trecho da delação do operador do esquema de Cunha. Funaro disse aos procuradores porque o peemedebista tinha interesse em ter aliados no Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), que, segundo ele, funcionava como uma espécie de "mini-BNDES". 

A pedido dos procuradores, Funaro cita os parlamentares que negociavam com Cunha, entre 2010 e 2016."Todos esses deputados narrados aqui tiveram negócios com Eduardo Cunha e receberam propina dele. Ou receberam propina do deputado Eduardo Cunha ou receberam relatorias, CPI’s, cargos dentro da Casa, que permitiram a eles auferir renda. São eles: André Moura, Fernando Diniz, Lúcio Vieira Lima, Baldy, Arlindo Chinaglia, Eliseu Padilha, Sérgio de Souza, Moreira Franco, Sandro Mabel, Priante, Manoel Junior, Fernando Jordão, Antônio Andrade, Candido Vaccarezza, Alexandre Santos, Hugo Leal, Vladimir Costa, Carlos Bezerra, Soraya Santos, Tadeu Filippelli, Tereza Cristina, Saraiva Felipe, Mauro Lopes, Waldir Maranhão, Rogério Rosso, Washington Reis, Solange Almeida, Rose de Freitas e André Vargas", revelou Funaro.

Na sequência, o operador detalha como os citados poderiam obter vantagens por meio de Cunha. "Eles podem ter recebido dinheiro do FI-FGTS, da presidência de Furnas, da diretoria internacional da Petrobras, das propostas de medidas provisórias ou projetos de leis, de distribuição pela influência política de Cunha de relatorias ou comissões de CPI's", enumerou.

Veja a íntegra da nota do deputado André Moura:

Em razão da divulgação de áudios do doleiro Lúcio Funaro nos quais sou citado por ele como “beneficiário de ‘esquema’ em troca de apoio político dentro da Câmara dos Deputados”, reitero: trata-se de expediente com o claro objetivo de beneficiar-se em delação premiada junto ao Ministério Público Federal, acusando a terceiros, em busca de abrandar a pena pelos muitos crimes por ele cometidos. 

Interessante observar, ademais, a tentativa de polemizar num momento no qual a Câmara dos Deputados analisa uma denúncia sem fundamento contra o presidente da República.Tenho a consciência tranquila quanto à correção dos meus atos. A minha atuação política – como líder do Governo na Câmara dos Deputados e hoje líder no Congresso Nacional –, sempre se baseou nos princípios republicanos, dentro dos limites legais das prerrogativas constitucionais inerentes ao Parlamento. 

Como nada tenho a temer, coloco-me à disposição da Justiça para quaisquer esclarecimentos, até porque vejo o combate à corrupção como fundamental para construirmos um Brasil justo e digno para todos, baseado no que reza a nossa Constituição.

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