Em SE, 80% dos alunos têm nível insuficiente de leitura e matemática

Cerca de 80% dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental  têm nível de leitura e matemática considerado insuficientes em Sergipe, segundo dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) realizada em 2016.

A terceira edição da ANA foi aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) em 48.860 escolas, 106.575 turmas e 2.206.625 estudantes. Uma prévia dos resultados da avaliação foi divulgada esta semana pelo Ministério da Educação (MEC).

Nas provas de português, Sergipe teve 80,2% de respostas insatisfatórias, o que deu ao estado o pior índice do país.  Na prova de matemática, os resultados não foram diferentes. 

O índice de conhecimento insuficiente entre crianças sergipanas de 8 anos de idade na resolução de operações básicas é de 79,5%, deixando Sergipe em segundo lugar entre os estados com piores índices apresentados, perdendo apenas para o Amapá, com 80,54% de respostas insatisfatórias.Segundo a pesquisa, os alunos não sabem efetuar contas de somar, subtrair e dividir, ou ler e interpretar textos, quando já deveriam estar em assuntos mais avançados, pela idade.A prova de português tinha perguntas simples, em que se pedia para o aluno identificar qual era o animal na imagem - e eles não souberam responder.

A presidente do Inep, Maria Inês Fini, considerou esses resultados uma alerta para todos, e acredita que as crianças estão precisando de um apoio intensivo para poder recuperar as perdas e terem chances de acompanhar o ensino. 

Os resultados deram argumentos para a defesa feita pelo MEC de que a alfabetização seja antecipada para o 2º ano na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

O documento que irá nortear os currículos do país está no Conselho Nacional de Educação e um dos pontos sensíveis do texto, que tem gerado discussão entre o ministério e o CNE, é justamente essa antecipação.Para o gerente de políticas educacionais do Movimento Todos Pela Educação, Gabriel Corrêa, o Brasil peca em todos os aspectos necessários para o desenvolvimento de uma política educacional eficaz, dentre eles o projeto, implementação e continuidade.“No ritmo de avanço em que estamos, nossa geração não vai conseguir ver todas as crianças alfabetizadas no país e isso é uma vergonha nacional”,  avalia. 

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