Pesquisa põe escolas de Sergipe entre as mais violentas do País

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2015, Sergipe está entre os sete Estados onde há risco de vida dentro das escolas. O índice registrado é de 56% em Sergipe, acima da média geral. A pesquisa revela ainda que mais da metade dos professores e funcionários de escolas já presenciaram agressões cometidas por alunos. De acordo com o diretor comercial do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica do Estado de Sergipe (Sintese), Joel Almeida, essa é uma triste realidade vivenciada quase diariamente pelos profissionais da área da educação.

O professor Joel conta que a violência na escola se dá de duas formas: em primeiro lugar está a violência dentro do espaço escolar, e esse tipo de violência tem cada vez aumentado mais, segundo ele. Em segundo é a violência que ocorre no entorno das instituições escolares. No espaço escolar a violência ocorre devido às relações interpessoais de alunos com alunos, alunos com professores, alunos com funcionários e, em menor grau, na relação de professores com funcionários.

“Antigamente era apenas a violência verbal, que costumamos chamar de bulling, mas nos últimos dez anos tem se acentuado para contornos de agressões físicas. No entorno da escola é a violência que ocorre na saída ou entrada, com assaltos, e esses assaltos muitas vezes são com agressão física e até mesmo se caracterizam como homicídio ou tentativa. Mas essas situações no entorno da escola nós remetemos à Secretaria de Segurança Pública”, explica o professor.

Sobre a violência dentro do ambiente escolar, Joel reitera que o Sintese tem realizado diversos debates para discutir a situação, e até o momento o primeiro diagnóstico concluído pelos profissionais é de que o que está ocorrendo é uma reprodução do que acontece fora das escolas.

“Há um clima de hostilidade na sociedade, que acaba chegando dentro das escolas. E para piorar, quando acontece uma cena de agressão a escola não sabe lidar. Portanto, se trata de um problema de ordem pedagógica. Por isso avaliamos a necessidade de psicólogos e assistentes sociais mais próximos, para quando houver algum problema a escola poder contar com esses profissionais”, conta. Segundo Joel, as escolas não contam com esse tipo de serviço dentro delas. O serviço de assistência social é prestado pelos Centros de Referência de Assistência (Cras) existentes nas comunidades. “Há necessidade de ter esses profissionais de forma mais presente”, acrescenta o professor.

Recentemente um professor foi baleado na mão durante um assalto na Escola Municipal Antônio Ferreira Carvalho, do Município de Capela. Há cerca de um mês uma professora foi morta no momento em que entrava no carro para ir embora, ainda dentro das instalações da escola, no Município de Campo do Brito.

“A polícia está tratando isso como origem de mando, onde encomendaram a morte da professora Ivana quando ela ia saindo da escola para casa. Dois bandidos atiraram nela dentro do carro. Além desse caso, nós tivemos há dois anos o caso do professor Cristian, que recebeu um tiro de um aluno dentro da sala de aula e está paraplégico. Também há dois anos uma diretora de escola recebeu várias perfurações na cabeça com uma caneta. Os marginais estão entrando nas escolas para fazer assaltos e arrastões. Então, hoje nós temos a clareza de que no espaço que deveria ser o último para se ocorrer violência é uma coisa que está acontecendo cada vez mais. O volume de violência tem aumentado assustadoramente na escola. Para mim, o maior problema e o principal diagnóstico é de que na medida que a violência aumentou profundamente na sociedade, acabou chegando com força na escola”, acredita Joel.

Seed

A Secretaria de Estado da Educação (Seed) encaminhou uma nota pública em que informa que este ano os registros de casos de violência no âmbito escolar diminuíram em 65%. “Medidas efetivas foram tomadas, como a criação do Serviço de Educação em Direitos Humanos (SEDH), através da portaria nº 5.148/ 2015, e entre os autores integra o Núcleo de Prevenção à Violência (NPV), além da instalação no âmbito da rede estadual de ensino do Núcleo de Segurança Escolar através da portaria 4.522/ 2017. O Relatório de Atividades de 2016 do NPV aponta que a violência nas escolas da rede estadual de ensino tem diminuído consideravelmente por conta da rede de atividades preventivas, que saltou de 73 atendimentos em 2015 para 133 em 2017, diminuindo o número de ocorrências em 82%”, diz em nota.

A Seed afirma que o NPV é “composto por uma equipe multidisciplinar e oferece ações de prevenção e mediação de conflitos para promover e fortalecer a cultura da não-violência, a exemplo de atendimento psicossocial de alunos e professores, em grupo ou individual; palestras; oficinas; além da utilização da técnica de círculos restaurativos por meio de rodas de conversas e mediação de conflitos”.

Em nota, a Seed acrescenta ainda que “somente no relatório de 2016 o Núcleo de Prevenção à Violência (NPV) realizou visitas técnicas e acompanhamento em 78 escolas da rede de ensino de Sergipe, de janeiro a dezembro, oferecendo suporte de prevenção e enfrentamento às diversas violências. Também foram oferecidas 27 atividades de apoio e orientação psicossocial a discentes ou em grupos, também encaminhamento à rede de saúde e de proteção dos direitos da criança e ao adolescente”.

Segundo a secretaria, o Núcleo de Segurança Escolar, desde quando foi instalado, conseguiu reduzir em 65% o número de ocorrências em relação ao período de 2016. “O Núcleo acompanha a prevenção de incidentes contra o patrimônio público, além de inspecionar as dependências internas e externas das escolas, controla o fluxo e acesso de pessoas prevenindo e detectando anormalidades; coordena o patrulhamento voltada a prevenção de infrações contra o bem público, serviços e instalações da Seed, incluindo a fiscalização do cumprimento das atribuições dos vigilantes; elabora e implantar o plano de segurança no âmbito da Seed. Parcerias também foram sistematizadas com o Ministério Público Estadual através da implantação na rede do Projeto João Cidadão e com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, que leva para as escolas estaduais o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd)”, conclui a nota.