Queda de caixa d’água em telhado de escola que matou duas crianças poderia ter sido evitada, diz Defesa Civil

A Defesa Civil realizou nesta terça-feira (7) uma vistoria na Escola Municipal Professor Osman dos Santos Oliveira, no Povoado Campo Grande, município de Nossa Senhora das Dores, onde uma caixa d’água caiu e atingiu o telhado na unidade de ensino matando duas crianças e ferindo 20 pessoas, quatro crianças ainda permanecem internadas.

“O que detectamos hoje na vistoria foi uma extensa corrosão na base da estrutura, que pode ter levado ao acidente. E que poderia ser evitado se manutenções fossem realizadas regularmente”, explicou o engenheiro da Defesa Civil, José Roberto de Oliveira. A data final para elaboração de um laudo ainda não foi divulgada.

Ele destacou ainda que qualquer pessoa pode denunciar uma situação de possível perigo com relação à caixas d’água e outras estruturas que possam provocar acidentes. “Quem perceber corrosão em estrutura metálica ou de concreto deve alertar os responsáveis pelo local ou entrar em contato com a Defesa Civil. Os números disponíveis são o 3179-3960 ou através190 Ciosp”, explicou.

A Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) confirmou que a caixa d'água pertence a empresa e ficava ao lado da unidade escolar. O reservatório era responsável pelo abastecimento do povoado, que tem 600 pessoas.

"O reservatório tinha 13 anos, o que para a construção não é considerado um longo período. E possuía 15 metros de altura, com capacidade para 30 mil litros de água. Uma perícia será realizada no local nesta terça-feira", explica o diretor da DESO, Sílvio Múcio, completando que a companhia vai apurar tecnicamente o fato para esclarecimentos as causas do acidente. Ele informou que a empresa está prestando assistências às vítimas e que as três crianças que ainda estão hospitalizadas no Huse serão transferidas para unidade privadas.

"A Deso também vai se responsabilizar pela construção de uma nova escola no povoado, e enquanto isso não acontece um local será alugado para atender aos alunos e evitar que eles percam o ano letivo", finalizou o diretor da Deso.

Inquérito

O delegado Marcos Garcia, que acompanha o caso, informou que o inquérito já foi instaurado e testemunhas foram ouvidas. “Algumas disseram que a situação da caixa d’água já vinha sendo questionada pela comunidade e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) tinha sido firmado entre o Ministério Público de Sergipe e a Deso. Agora, o papel da polícia é buscar e responsabilizar àquelas pessoas que não adotaram as providências necessárias”, disse.

O diretor da Deso, Sílvio Múcio, disse que não tem conhecimento da existência do TAC referente as condições do reservatório.

A assessoria de comunicação do Ministério Público de Sergipe informou que o órgão não tinha conhecimento do estado do reservatório. Disse ainda que o promotor Renato Dantas Bernardes afirma que o único Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) existente foi firmado com as escolas municipais para adequar o projeto de incêndio e pânico.

G1/SE