Concursados cobram nomeação na Polícia Civil de Sergipe

Os concursados da Polícia Civil sergipana tentam com frequência realizar tratativas com o Governo do Estado para que seja realizada uma nova convocação, entretanto, segundo eles, há uma justificativa pronta: a falta de dinheiro. Essa é a maior razão para a não convocação dos cerca de 160 aprovados no concurso, realizado em novembro 2014.

Os aprovados questionam sobre vagas ociosas, que, segundo eles, chegam a mais de 400 no Estado. Além disso, é questionada a prioridade utilizada, já que Sergipe é um dos estados mais violentos do país. 

São 160 que fizeram o curso na Academia de Polícia (Acadepol) em 2015 e aguardam a convocação.Apesar de demonstrar interesse, os aprovados relatam que não receberam previsão para a convocação por parte do governo. Devido à instabilidade na convocação durantes os meses anteriores, a angústia por parte dos profissionais só  aumenta.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), a crise vivida e conhecida no Estado é o principal impedimento para a convocação.  “As nomeações acontecerão de acordo com a necessidade e disponibilidade financeira, não há uma previsão. As convocações aconteceram de forma gradual”, informou.

O diálogo é o principal meio utilizado para buscar respostas, tanto com o governador Jackson Barreto, quanto com a Secretaria de Segurança Pública.“Buscamos todas as maneiras de dialogar, no quesito receptividade foi ótimo; agora, nunca percebemos concretude nas respostas, sempre no mesmo discurso de limitação financeira. Agente questiona o porquê de não dar prioridade ao que é importante realmente”, disse um dos aprovados no concurso, Luís Quaranta.

Estado violento

Um dos pontos mais citados pelos manifestantes é o fato de  Sergipe aparecer entre os estados mais violentos do país em estudos recentes divulgados por organismos sociais, a exemplo do Atlas da Violência, que apontou a cidade de Nossa Senhora do Socorro como o município mais violento do país, com base na taxa de homicídios a cada 100 mil habitantes.

De acordo com dados do 11º Anuário de Segurança Pública, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública  e divulgado em novembro,  2016 foi o ano mais violento da história do Brasil: 61,6 mil pessoas foram assassinadas no ano passado.Para se ter uma ideia, o número de assassinatos cometidos no Brasil em 2016 foi equivalente às mortes provocadas pelas bombas atômicas que dizimaram a cidade de Nagasaki, em 1945, no Japão.

Os estados brasileiros que registraram as maiores taxas por esse tipo de crime foram Sergipe (64 mortos para cada 100 mil pessoas), Rio Grande do Norte (56,9 mortos para cada 100 mil pessoas) e Alagoas (55,9 mortos para cada 100 mil pessoas).

Vagas

Segundo os aprovados, a validade do concurso vence em 2 de fevereiro e faz-se necessário uma prorrogação por parte do Estado para que os 160 restantes sejam nomeados.De acordo com Luís, há um déficit na carreira da Polícia Civil de 400 vagas em aberto ainda. “Caso ocorra essa aberração de não prorrogar, buscaremos todos os meios possíveis para que a justiça seja feita”, disse Luís Quaranta.

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