Em dez anos, gasto com aposentadoria cresce mais de 100% em SE

Os gastos com a aposentadoria tiveram um crescimento exorbitante em Sergipe. Em dez anos, as despesas subiram em torno de 110,6%, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

O crescimento foi registrado de 2006 a 2016.Segundo José Roberto, economista do Sergipeprevidência, grande parte dos funcionários do Estado ingressou no serviço público no final dos anos 80. 

Atualmente o governo paga 29 mil aposentadorias, uma leva grande de inativos que deve crescer o dobro nos próximos sete anos. “As pessoas normalmente têm 30 anos de contribuição, é um ciclo normal porque enfim as pessoas estão no seu prazo de aposentadoria. Não tem como evitar”, afirma.

Para especialistas, se as regras para aposentadoria não forem alteradas, a Previdência Social no Brasil entrará em colapso em poucos anos, já que em 2030 a perspectiva é que a população idosa seja ainda maior, representando 18% dos brasileiros, o que deve aumentar as despesas com a aposentadoria.O economista afirma que a possível discussão de uma reforma da previdência Estadual depende da aprovação da reforma em nível nacional que tramita no Congresso Federal. 

No entanto, para que no futuro o sistema previdenciário não continue deficitário e se torne sustentável, será preciso um novo modelo, defende.“Tem que repensar o regime atual de aposentadoria, fazer um novo em que as pessoas paguem e recebam em função do seu tempo de contribuição, do volume de recurso que ele contribuiu. Acho que esse é o caminho. As pessoas estão vivendo mais, portanto, não se permite mais que um modelo usado há 40, 50 anos seja utilizado”, considera Roberto.

Segundo ele, o regime atual não funciona mais. Com a junção do Funprev e o Funaprev, o governo passou a tirar recursos dos ativos para cobrir parte do rombo do fundo dos inativos, que têm sofrido com atrasos de salários e parcelamento de 13º.“Hoje os ativos pagam os inativos, temos cada vez menos ativos. 

Alguns cargos de nível médio, como vigilante e motorista, antes funções públicas, não existem mais no Estado, são contratados através de terceirização. Estruturalmente o regime atual não consegue mais suportar”, acrescenta.

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