Retrospectiva: como foi o futebol sergipano em 2017

Um ano de muitos altos e baixos, com times em franca crise financeira, estádios interditados – ainda que parcialmente e campanhas vexatórias ao lado de recuperações incríveis. O futebol sergipano foi em 2017 a mesma montanha-russa de qualquer outro ano, mas com protagonistas diferentes.

Em 2017, dois dos três representantes sergipanos da Copa São Paulo chegaram até a passar de fase, mas mais uma vez ficaram no meio do caminho. Com boas estreias, Sergipe, e Estanciano conseguiram sobreviver à fase de grupos, mas caíram nas fase seguinte. Já o Itabaiana foi eliminado ainda na primeira fase.

Já o Campeonato Sergipano de 2017 ficou nas mãos da mais desacreditada das três forças estaduais no ano: o Confiança. Apesar da desconfiança da torcida, o time azulino conseguiu manter a regularidade e foi campeão da primeira fase e vice do Hexagonal. Nos três clássicos com o Sergipe, foram duas vitórias – por 2 a 1 na primeira fase e por 3 a 2 no Hexagonal e um empate – 2 a 2 no Hexagonal .

Na decisão, o Confiança encarou um Itabaiana dono da vantagem do empate e do segundo jogo em casa. No Batistão, ambos ficaram no 1 a 1 e a vantagem seguiu Tricolor. Mas no jogo da volta, no Etelvino Mendonça, o único gol do jogo foi azulino: Thiago Silvy marcou de pênalti e garantiu o 21º título estadual do Dragão. O chamado ‘quadrangular da morte’, por sua vez, definiu as quedas de Estanciano e Botafogo-SE para a segunda divisão. 

O ano também foi de vexame sergipano na Copa do Brasil. Sergipe e Itabaiana foram eliminados logo na primeira partida. O Colorado caiu diante do Bahia por 2 a 0 no Batistão, e o Tricolor foi derrotado pelo Goiás por 4 a 2. Já na Copa do Nordeste o negócio foi diferente. Pela primeira vez em muito tempo, Sergipe e Itabaiana conseguiram se classificar para as quartas de finais do torneio regional. Mas a campanha parou nas grandes forças do torneio. O Colorado foi eliminado pelo Bahia – o mesmo que o havia eliminado da Copa do Brasil - e o Itabaiana parou no Santa Cruz.

Na Série C, a trajetória do Confiança foi repleta de altos e baixos, prenúncios de tragédia, euforia inesperada e um desfecho satisfatório. O time começou bem, caiu de produção, insistiu nessa queda, perdeu o artilheiro Tito para a Europa, se livrou do técnico, arranjou outro que ficou por duas partidas , repatriou seu artilheiro, foi atrás de seu terceiro técnico na competição – e aí sim as coisas começaram a andar.

No fim das contas, a melhora foi tão expressiva que o time saiu da zona de rebaixamento, garantiu sua permanência, flertou com a classificação e, por fim, fez o quase inacreditável: passou de fase. Nas quartas de final, porém, o time pegou um São Bento-SP inspirado, organizado e focado – e teve o sonho da série B adiado com uma derrota dentro de casa e um empate fora.

Na Série D, Sergipe e Itabaiana passaram longe de se dar bem. O alvirrubro estreou com derrota  e, sob o comando de Marcelo Vilar, foi caindo de produção até não ter mais chances de classificação. Nas últimas rodadas, Ribeiro Neto assumiu e pelo menos fez a equipe dar seus últimos suspiros com dignidade: mesmo sem chances, o time se despediu com vitória sobre o Jacobina-BA.

Com Betinho como técnico, o Itabaiana começou levando surra, seguiu com uma campanha razoável, mas prejudicou a si mesmo ao escalar um jogador de forma irregular – e perdeu no Tribunal de Justiça Desportiva três pontos que poderiam classificá-lo. Apesar dos resultados heroicos fora de casa e vitórias importantes em seus domínios, o Tricolor não conseguiu superar os adversários na pontuação e ficou de fora da segunda fase.

A penúria do futebol sergipano continuou extra-campo. Os estádios João Hora e Sabino Ribeiro não passarampelo crivo do Ministério Público, e aumentaram a lista de aborrecimentos das torcidas de Sergipe e Confiança. O Itabaiana passou por situação ainda pior: quase teve de leiloar seu Centro de Treinamento devido a uma dívida trabalhista com um ex-atleta, mas conseguiu renegociar sua situação. Na segunda divisão, Olímpico e Socorrense foram os times que garantiram o acesso para a chamada elite estadual de 2018 – e o campeão foi o Socorrense, que levou o caneco nos pênaltis.

Por Igor Matheus/ Infonet