Sargento da PM é acusado de assédio contra policial feminina

Um sargento da Polícia Militar de Sergipe foi acusado de violar a intimidade de uma policial feminina esta semana. A Polícia Militar instaurou inquérito e procedimento administrativo disciplinar para apurar o caso. O sargento foi transferido para outra unidade policial.Enquanto se trocava no alojamento feminino, após sua higiene pessoal, a militar percebeu que alguém a filmava com um aparelho celular por uma janela de vidro. 

Atordoada, a policial se vestiu rapidamente e gritou por socorro, recorrendo ao sargento, responsável pela equipe de serviço, que minutos depois teria confessado que a espiava.“Por saber que não ficaria no anonimato, por haver câmeras, não sobrou alternativa a não ser confessar. Ele violou a intimidade, o direito de imagem, a privacidade, o que pode ser tipificado como assédio. Vamos aguardar o que as autoridades irão tipificar, mas sem dúvida é um desrespeito ao direito dela. 

Esperamos que seja medida dura para que sirva de exemplo”, afirma a presidente da Associação Integrada de Mulheres da Segurança Pública em Sergipe (ASIMUSEP), a primeiro sargento Svetlana Barbosa.Segundo Barbosa, este é o segundo fato do qual a Polícia Militar tem conhecimento oficialmente, o primeiro aconteceu há 24 anos, quando o responsável foi expulso da Corporação. “Porém, muitas vezes já vieram me dizer que já passaram por isso, mas não tiveram coragem de denunciar. 

Agora teremos que pedir que pintem os vidros das janelas. Existe dificuldade para ter um local adaptado. Não somos as culpadas, policial como ele, é quem tem que ter ética e respeito”, diz.A policial vai prestar queixa na Delegacia para que o inquérito corra junto ao processo administrativo. A Polícia Militar já solicitou as imagens para a investigação que está em fase de oitivas. 

O coronel Paulo Paiva, relações públicas da PM, lamentou o fato, afirmou que essa é uma conduta isolada e que o Comando repudia com veemência. Se confirmada a acusação, o sargento pode ser expulso da PM.“Assim que tomamos conhecimento, o Comando determinou que ele fosse transferido da unidade e acionou a Corregedoria Geral para apuração. 

Ele terá direito a defesa, mas se confirmado será punido administrativamente e criminalmente conforme a lei, para que situações como essa jamais voltem a acontecer”, informou Paiva.Ainda segundo a sargento, a militar está sendo acompanhada pela assessoria jurídica e psicológica da ASIMUSEP. “O que foi de início informação interna para que incentivasse as policiais a denunciarem, tomou proporção por conta da indignação de todos. 

Isso serve de alerta para que outras pessoas más intencionadas não cometam isso e pensem que vão ficar impunes. Nós estamos recepcionando essas denúncias e tentando com gestores achar medidas que inibam essas ações, para inserir na concepção dos homens que estamos nas instituições para dividir as responsabilidades e precisamos do mesmo respeito e acabar com qualquer ato misógino”, ressalta Barbosa.

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