Argentinos mostram seu trabalho no intervalo dos semáforos em Tobias Barreto (SE)

Entre um sinal verde e outro vermelho, artistas de rua buscam chamar a atenção de motoristas – que, cada vez mais, estão com os olhos grudados nos telefones celulares quando parados nos semáforos – com atuações que lembram os espetáculos circenses. Malabaristas se apresentam em alguns cruzamentos da cidade de Tobias Barreto. Em um curto espaço de tempo para desenvolver o trabalho, os artistas contam que é preciso buscar evolução constante das atrações para conseguir entreter o efêmero público, prender a atenção e, possivelmente, conquistar um pequeno reconhecimento financeiro após a conclusão da performance.

O argentino Gonzalo Izan cursava a faculdade de História em Buenos Aires. Dividia o tempo entre os livros e o o trabalho. Há dois anos, ela decidiu abandonar tudo e seguir viagem com um grupo de artistas de rua que fez contato na capital argentina. Aprendeu tudo que sabe pelo caminho e o objetivo é conhecer o Nordeste brasileiro. Para equilibrar a satisfação de fazer o que gosta e suprir as necessidades econômicas, o malabarista conta que o segredo é a constante mudança nas apresentações. “Eu trato de melhorar o tempo todo. Se não faço isso, é aborrecedor às vezes. Mas sempre tento encontrar diversão nesse trabalho. Isso também é necessário para ter melhor recompensa na parte financeira”, diz.

Esse é o mesmo desafio encontrado por Angel Pablo, também argentino. Ele era artesã e vendia seus produtos em viagens a países da América do Sul, como Bolívia, Peru e Equador. Tinha vergonha de fazer malabarismo na frente de outras pessoas e, sobretudo, em um semáforo. Hoje, já tem planos completamente opostos e é apaixonado pelo desafio diário que enfrenta. A ideia de renovação do seu trabalho a cada instante a fascina. “Tem que ter alguma coisa que surpreenda o público", afirma o artista, que se apresenta frequentemente fazendo malabares.

Eles querem deixar uma mensagem

O intuito de aprimorar as técnicas de apresentação é, segundo os artistas, para fugir da rotina e, ao mesmo tempo, encontrar diversão nas tarefas que desempenham. “O maior desafio é deixar uma mensagem. Buscamos mover as pessoas de sua rotina, por meio da arte, do amor e da alegria. As pessoas precisam valorizar mais um sorriso. Isso é minha maior motivação e minha forma de revolução. Eu acho possível mudar o sistema capitalista e mudar as mentes das pessoas para que elas se sintam mais importante que dinheiro”, diz Gonzalo Izan.

Para Angel Pablo, o desafio encontrado é o de descobrir a si mesma nas ruas, avenidas e nos bairros de cada novo país. “Eu trabalho fazendo arte de rua no semáforo porque me satisfaz, embora, às vezes, o público não entenda sobre malabarismo. Todos os dias, se aprende algo novo e é divertido”, afirma.

Matéria: Jornalista Eduardo Góis / Site Gata Amarrada 
Foto: Marcela Fernanda / Programa Gata Amarrada