Jackson Barreto vai disputar, sim, o mandato de senador

Na verdade, para além da desarmonia da oposição na decisão de quem deve ser o nome dela a disputar o Governo de Sergipe, boa parte do compasso de espera que imprime lentidão no processo sucessório do Estado deriva de apenas um político: de Jackson Barreto, MDB.

Melhor escrevendo: deriva de uma decisão dele. Traduzindo mais ainda: da confirmação dele de que vai disputar ou não o mandato de senador. E pode anotar aí, leitor, com expressa segurança: no dia 6 de abril JB deixa, sim, o Governo do Estado nas mãos do vice-governador Belivaldo Chagas, hoje ainda no MDB, e cai nas águas da disputa.

Os tentáculos desta decisão de Jackson Barreto estão esparramados nas vontades e nas falas de nove entre cada 10 prefeitos de Sergipe. Eles o querem na disputa. Eles prometem fazer um ato no dia 6 de abril, exigindo a desincompatibilização dele para que se jogue na disputa.

E não será um gesto forçoso para JB. Ele também quer o que os prefeitos estão a lhe pedir. Com a discrição de quem deveria governar dentro de uma crise hedionda, Jackson passou os últimos dois anos consentindo que os prefeitos e outros setores da sociedade civil construíssem esse discurso de que o querem ainda na política, o necessitam na disputa e o desejam no Senado.

Em parte, este estímulo que o própria Jackson fomentou vem da necessidade de quebrar as enzimas de uma declaração feita por ele mesmo uma semana antes das eleições de 2014, quando disputou o Governo do Estado, de que, fosse qual fosse o resultado, aquela seria a sua última disputa eleitoral. A sua última eleição.

Voltar atrás naquela afirmação constitui-se em algum crime? Lesa algo ou alguém? Clero que não. Isso é um direito dele, ou de qualquer um na mesma circunstância ou maranha. Para a idade de JB, ele está inteiro, saudável, lúcido e sabe onde estão as tocas nas quais se escondem todas as cobras da política estadual.

Alguém aí, sob a consciência da boa análise política, vai negar a Jackson Barreto uma biografia sã e eficaz para a disputa de um mandato final de sanador? A isso, só nega se for desonesto ou cabuloso - aliás, deste tipo de analista, elevado a odiento, estamos fartos e bem servidos.

Esta observação não diz, sob hipótese alguma, que Sergipe esteja, administrativamente, às mil maravilhas. Não está. Está um encalacrado abacaxi. Mas soa falso a qualquer um que tire o Estado de Sergipe do contexto nacional e que queria atribuir a sua tragédia somente à ação de JB. 

Uma vez JB fora do Governo, uma vez pré-candidato ao Senado, abrem-se mil e uma hipóteses políticas que podem alterar substancialmente a química da disputa pelo comando do Governo do Estado e pelas duas vagas de Senado por Sergipe.

Belivaldo Chagas, uma vez governador e candidato à reeleição, ganha, indubitavelmente, tônus agregadores para ele e desagregadores para os planos da oposição. Mas isso será tema de uma outra análise.

JL Politica