Sergipe registra mais de 300 casos de Hanseníase por ano

Uma doença que reflete o retrato de um país pobre, sem saúde básica e sem informação. A hanseníase, considerada uma das enfermidades mais antigas da humanidade, coloca o Brasil em uma situação nada agradável. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), além de estar no topo da lista dos países onde é maior o número de novos casos da doença, ao lado da Indonésia e Índia, o país é único das Américas onde a doença é ainda um problema de saúde pública.A relatora especial das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra Pessoas com Lepra, Alice Cruz, denunciou nesta quinta-feira (25) que a hanseníase é uma "doença esquecida" apesar de, segundo as estatísticas, surgirem mais de 200 mil casos por ano.

Em 2016, foram 214.783 novos casos de hanseníase ou lepra, como a doença era chamada, dos quais 12.437 sofreram sérias incapacidades. "Esse nível de incapacidade é alarmante e completamente desnecessário", disse Alice Cruz ."O fato de que isso ainda ocorra em 2018 mostra que há deficiências no diagnóstico e na falta de acesso a um tratamento de alta qualidade", acrescentou.

Sergipe

Em Sergipe são registrados em média 300 novos casos por ano. De acordo com o Ministério da Saúde, o estado é considerado de média endemicidade, apresentando, em 2016, taxa de detecção de 13,73 por 100 mil habitantes. Ainda em 2016, o percentual de cura dos novos casos foi de 84,6%. As regiões de saúde que apresentam maior concentração de casos são as de Aracaju, de Itabaiana e de Nossa Senhora do Socorro.

Janeiro Roxo

Com o objetivo de conscientizar e levar informação à sociedade sobre a hanseníase, o Hospital Universitário (HU) da Universidade Federal de Sergipe, juntamente com as secretarias Municipal e Estadual da Saúde, realizaram na manhã de hoje uma ação alusiva ao Dia Mundial Combate e Prevenção da Hanseníase, que ocorre no último domingo de janeiro. A iniciativa faz parte das ações do Janeiro Roxo, campanha organizada pelo MS e pela Sociedade Brasileira de Hansenologia para combater a enfermidade.A programação conta com palestras educativas, triagem e atendimento médico para confirmação, ou não, de diagnóstico. “Caso haja algum diagnóstico, esse paciente será encaminhado ao tratamento imediatamente”, garantiu a médica dermatologista do HU Ana Luiza Furtado.

Diagnóstico / tratamento

Provocada por uma bactéria, o bacilo Mycobacterium leprae, a hanseníase é transmitida pela saliva ou por gotículas do nariz de pessoas contaminadas através do contato constante. Ela acomete principalmente pele e nervos periféricos (mãos e pés) e se não tratada precocemente pode levar a sérias incapacidades físicas e neurológicas. 

O tratamento é gratuito e oferecido pelo SUS.A dermatologista alerta para os sintomas que podem começar com manchas na pele, perda de sensibilidade nas mãos e pés, caroços pelo corpo, perda dos pelos da sobrancelha, acometimento do nariz, com dificuldade de respirar, como se o nariz estivesse entupido, e a sensação de areia nos olhos.“No começo da doença as manchas são mais claras que a pele, depois ficam avermelhadas. 

É muito importante que nessas lesões o paciente note se ele tem perda de sensibilidade e qualquer dúvida procure uma Unidade Básica de Saúde (USB), ou centro de referência, porque no início se confunde com outras doenças”, disse Ana Luiza Furtado.Ela explica também que todos os tipos de hanseníase têm cura, embora algumas sequelas já instaladas sejam irreversíveis. 

O tratamento, PQT (poliquimioterapia), é feito por via oral com uma associação de antibióticos.Com o uso da medicação apropriada o bacilo deixa de ser transmitido para um novo indivíduo. Esse tratamento pode ser de seis meses em caso de doença inicial, até um ano para doenças mais avançadas.

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