Data do 17 de Março é usada como limite do “fica Jackson Barreto” no Governo

Que março é o mês decidido para que o governador Jackson Barreto, MDB, passe o bastão do comando do Governo de Sergipe para o vice-governador Belivaldo Chagas, MDB, isso já é de domínio público. Não deve haver reversão disso.

Mas Jackson Barreto teria até o dia 7 de abril por tempo regimental para fazer esse rito de passagem de Governo, porque aquele é o dia que o separa dos seis meses do dia da eleição deste ano, que será no 7 de outubro - primeiro domingo do mês. E por que então a pressa?

O que se diz nos bastidores do Governo é que JB quer criar um espaço entre seu gesto e a data regulamentar para que Belivaldo Chagas possa fazer sem pressão os encaixes devidos da futura equipe que será efetivamente dele e os ajustes necessários ao novo Governo.

Mas em quanto de março isso se daria? Qual o limite? E tem um limite? Tem. Alguns aliados do governador, meio que em sintonia com o sentimento dele, estão dando o 17 de Março como uma espécie de marco do “fica Jackson”. Ou do “desincompatibiliza Jackson”. “Depois do 17 de Março, qualquer dia é dia”, diz uma fonte ligada ao Governo.

Claro que a data do 17 de Março é tão simbólica para a vida pessoal de Jackson Barreto quanto as duas principais outras datas estaduais - a 8 de julho e a 24 de outubro -, dias da única emancipação política do Estado em relação à Bahia, lá nos idos de 1820.

A primeira, é a data real da emancipação; a segunda, a da chegada da notícia a Sergipe, vinda sobre pântanos e em lombos de burro, fato que em menos de três anos completará 200 anos.

O 17 de Março é, portanto, um marco de Aracaju e dos aracajuanos, e neste 2018 fecham-se os 163 anos da elevação do Arraial de Santo Antonio do Aracaju à condição de Capital, numa atitude ousada de Ignácio Barbosa, que retirou da histórica São Cristóvão este status.

Os defensores do 17 de Março como data-limite para este ato político não estão esquecidos de que Jackson é um cidadão de Santa Rosa de Lima e não um aracajuano. Mas não desconhecem - e esse é o maior detalhe - a vinculação efetiva e a afetiva do atual governador com a Capital.

Por adoção, JB é “um aracajuano” desde muito moço e, mais do que isso, fez de Aracaju sua régua e compasso políticos. Ninguém dos que estão aí ombreados com ele politicamente, exceto Edvaldo Nogueira, ou lhe fazendo oposição, foi desta cidade vereador e prefeito por duas vezes.

Dos muitos mandatos de deputado estadual e federal que JB teve, a maior votação veio sempre do povo da capital e, volta e meia, ele anda se derramando em declarações de amor pelo lugar.

Um dos defensores de que JB só “vá embora depois do 17 de Março” é exatamente o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PC do B. “Eu gostaria muito que Jackson Barreto ficasse governador até o dia do aniversário de Aracaju”, apela ele.

“E por que eu queria isso? Porque tem três obras que o Governo do Estado está fazendo na Capital e, como ele foi prefeito da cidade por duas vezes, eu ficaria muito feliz que ele estivesse presente como governador nas inaugurações delas”, defende Edvaldo.

As três obras citadas por Edvaldo são a ligação entre as avenidas Rio de Janeiro e Gasoduto, passando ali sob o Viaduto Manoel Celestino Chagas, o do Detran, indo até o Orlando Dantas, a duplicação da Avenida do Porto Dantas, até o Rio do Sal, na Ponte José Rollemberg Leite, e o Largo da Gente Sergipana, sobre o Rio Sergipe, na Ivo do Prado, em frente ao Museu da Gente Sergipana. Tem, ainda, o Memorial Marcelo Déda, no Parque da Sementeira.

“Para além de tudo isso, sei que Jackson gosta muito de Aracaju. E era importante que ele comemorasse os nossos 163 anos ainda como governador. Também por eu ter com Jackson uma relação política histórica. Jackson foi meu primeiro voto de deputado federal e de prefeito de Aracaju - ele foi o prefeito da redemocratização em 85 -, fui assessor dele em seu Gabinete de prefeito e tive o prazer de ser vereador juntamente com ele em 1988 na eleição do meu primeiro mandato”, completa Nogueira. Quem pouco tem falado da sua saída, de quando e do porquê, é o próprio Jackson.

Por: JL Politica