Eduardo Amorim: “Estou consciente de que devo ser candidato ao Governo”

O senador Eduardo Amorim, PSDB, não subscreve as visões dos que veem nele dificuldades de se assumir pré-candidato ao Governo de Sergipe. Mas tem muita gente, inclusive do seu bloco e do seu entorno, que aponta essa dificuldade.

“Eu não estou na cabeça de ninguém. Estou na minha. E respondo pelos meus atos e atitudes. As torcidas são movidas por interesses, e não somente por paixões. Não quer dizer que o que elas dizem seja uma verdade. Não anunciei ainda a candidatura porque precisamos conversar. Tenho as entrelinhas da questão dos espaços. Já pensou se eu fosse um ser sozinho?”, diz o senador, sem rodeiros.

E vai mais além: “Estou muito consciente de que devo ser candidato ao Governo do Estado de Sergipe. Agora, eu tenho tanta consciência que sei que não depende só de mim. Não é só o meu querer que vale nesta hora. E quando eu respeito o outro lado, muitos confundem isso com falta de liderança”, diz ele.

E emenda: “Não é isso não, meu irmão. A democracia passa, sobretudo, pelo respeito ao outro, e estou respeitando a história do senador Valadares, estou respeitando a liderança de Valadares Filho e estou respeitando a liderança de André Moura”.

“Que bom que nós temos vários líderes. Feliz do time que tem diversos jogadores que podem ser escalados para uma posição só. Mas, “e você está abrindo mão da sua liderança?” Em nenhum momento. Para liderar, não precisa ir na porrada sempre”, teoriza o senador.

“Aliás, vai na porrada o líder fraco. Quando o comando é no olhar, e na palavra, aí está demonstrada a força de qualquer líder de respeito. Às vezes a gente está tão acostumado só com ditaduras que pensa que tem de ser tudo na base da imposição. E não é assim”, reforça o senador.

A situação de Eduardo Amorim não é das mais fáceis. Ele tem coco demais para fazer uma única cocada. A coluna o questiona se dá para montar uma chapa majoritária, onde só cabem quatro pessoas, com dois Valadares - o senador Antônio Carlos Valadares e Valadares Filho -, um candidato à reeleição de Senado e outro, a vice-governador.

Esta questão coloca Eduardo Amorim no campo de urtigas e cansanções. “É possível. Mas você me pergunta: “em quanto por cento isso é possível?” Aí agora é o difícil. Porque outros também querem. E é aí que está o segredo do negócio. A fila está grande, e você tem que trazer gente ao projeto. Porque, mesmo enfrentando um Governo quebrado, falido e mentiroso como este, a gente sabe que a máquina tem peso. É dura e perversa”, diz ele.

E retoma à mesma linha de coceira na questão dos Valadares: “Não é impossível, mas, honestamente, não é fácil. Outros querem espaços e todos precisamos de gente para encorpar o projeto. Com os dois e o governador já decididos, restaria um e tem uma pessoa como André Moura, que também quer compor e agregar. É por aí”, afirma o senador.

Eduardo Amorim tem uma enorme dificuldade de “ver e ler” André Moura como um encosto ruim, como um presságio ou fantasma de Michel Temer a lhe atravancar o caminho da sucessão.

Ele não trabalha com a ideia de que, tendo André como candidato ao Senado ao seu lado, o “marketing da maldade” venha colar a imagem dos dois à de Temer e tentar solapar tudo. Convém lembrar que Temer, o tiozão de André, tem apenas 7% de aprovação do povo de Sergipe e do Brasil.

“E o marketing não tem resposta não? Eu não temo a mentira de novo. Dessa vez, o povo vai olhar a história de cada um, o caráter de cada um. O que cada um fez. E tem que olhar mesmo. Por exemplo, quem mandou: André Moura ou Jackson Barreto e Edvaldo Nogueira?”, fustiga.

“André sempre atendeu a todo mundo. Eu mesmo ajudei a Dilson de Agripino e Chico do Correios, dois petistas. Hoje André Moura tem o poder como líder de trazer muito investimento e por quem foi muito criticado, hoje é considerado amiguinho. E os investimentos trazidos por André têm sido a salvação deles, de Jackson Barreto e Edvaldo Nogueira”, diz.

“André não compromete chapa alguma. Cada um é cada um. O brasileiro e o sergipano votam em cada um que faz algo. Pelo que cada um tem de trabalho. Tanto é assim que a gente não tem tradição partidária, com raríssimas exceções. Vota-se pelo trabalho. No cada um de cada um. O julgamento quem faz é o povo. E Edvaldo pode falar alguma coisa de Temer, e Edvaldo pode falar de André? E Jackson pode? Quem pertence ao PMDB não sou eu. Temer não recebeu o meu voto não”, diz.

JL Politica