Com Jackson Barreto, o PT de Sergipe só saiu perdendo

Por que, apesar do "tratamento" que Jackson Barreto tem dado ao PT (e não é de agora), o partido continua nos cargos? Sugiro uma entrega coletiva desses postos, seguida de uma resolução de rompimento com o governo e uma nota de desagravo.

Lamentar porque JB não respeitou a memória do maior quadro do partido, não resolve as diferenças políticas. O ponto central do debate é que JB é do MDB golpista e implementa aqui em Sergipe a política neoliberal de Michel Temer.

Dificilmente Jackson seria governador se não fosse na sombra do PT e de Marcelo Déda, mas mesmo assim, ele deu mais de uma demonstração de que não tem nenhum compromisso com o partido. 

Ao contrário, nos momentos mais difíceis fez igual a Pôncio Pilatos (lavou as mãos), como durante a passagem de Dilma Rousseff por Sergipe, já afastada da Presidência – mas não definitivamente – e tentava conquistar apoio para permanecer no cargo. Jackson Barreto viajou para o Mato Grasso do Sul para receber um título de cidadania.

Com Dilma já golpeada, Jackson Barreto volta à tona e ironiza o PT ao pilheriar usando uma expressão dos petistas, "deixe o homem trabalhar". O homem, no caso, era Michel temer. Mais adiante, JB declarou que não participou de nenhuma atividade do tipo "Fora Temer".

Fazendo coro com Jackson Barreto, o vice-governador Belivaldo Chagas – que também é do MDB –, recentemente, durante entrevista ao jornalista George Magalhães, na Fan FM, disse que Lula não sabe nem se será candidato, num tom de desprezo e não de reflexão política.

Há muito, eu venho afirmando que Jackson estava pegando carona na popularidade de Lula, mas a partir do momento em que o Judiciário, mesmo sem provas, interditasse o ex-presidente, ele saltaria do barco, e é isso que ele está fazendo de forma dissimulada, ao atingir a imagem de Déda e a partir da confusão sair da aliança com o PT como vítima.

Com Jackson Barreto, o PT só tomou prejuízo político. Assumiu duas Secretarias importantes, mas com orçamento raquítico, portanto sem chance de traduzir projetos em ações concretas. Já na construção da unidade eleitoral, perdeu um deputado federal e dois estaduais, por causa do chapão imposto por JB. 

O PT teve votos suficientes para eleger dois federais e quatro estaduais, mas ao ficar de joelhos para JB, diminuiu de tamanho.

Para limpar a área e seguir adiante, o PT precisa desde já anunciar para Sergipe que está rompendo com o governo de Jackson Barreto, que inscreverá candidaturas majoritárias (Senado e Governo), e fortalecer o partido para enfrentar tempos difíceis aqui e nacionalmente.

Rogério Carvalho e demais lideranças do partido que fiquem espertos, porque pelo andar da carruagem o próximo a dar um "canto de carroceria" no PT será Edvaldo Nogueira.

Por: JL Politica