Analfabetismo recua, mas Brasil ainda tem 11,5 mi sem ler e escrever

"Sei assinar meu nome, graças a Deus." O alagoano Damião Santos, 66 anos, é um dos 11,5 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever no país. A vida de dificuldades na cidade de Porto Real do Colégio o impediu de seguir adiante com os estudos.

"Fiquei muito doente e não consegui mais ir à escola", lembra. Há 47 anos em São Paulo, o tecelão afirma que chegou a estudar até a 8ª série, mas mesmo assim sabe apenas escrever o nome completo. "Isso afetou muito a minha vida. Hoje, quando tento ler alguma coisa minha vista fica turva", afirma.

O alagoano diz, porém, que seu maior motivo de satisfação hoje são os filhos bem encaminhados. "Minha filha é professora e meu filho está se tornando um bom menino." É na geração de filhos e futuros netos que Damião deposita as esperanças de redução das taxas de analfabetismo no Brasil. "É por incompetência do governo que não soube cuidar do povo pobre."

Embora a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos tenha recuado de 7,2%, em 2016, para 7% em 2017, isso significa dizer que, na prática, ainda existem 11,5 milhões de pessoas que - assim como Damião - não sabem ler nem escrever no país.

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) deste ano, divulgada nesta sexta-feira (18), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar da queda, o governo ainda não atingiu o objetivo estabelecido pela meta 9 do PNE (Plano Nacional de Educação) de 2014 sobre a taxa de analfabetismo: chegar a 6,5%.

Em 2017, o contingente de 11,5 milhões de analfabetos era formado por 5,6 milhões de homens (7,1% do total do brasileiros) e 5,8 milhões de mulheres (6,8% do total de de brasileiras). Em 2016, essas taxas foram, respectivamente, de 7,4% e 7%.

Em relação à cor ou raça, 4% das pessoas brancas são analfabetas, enquanto que os negros representam 9,3%.

Considerando as pessoas de 15 anos ou mais, a taxa sofreu redução na região Norte, Sudeste e Centro-oeste, mantendo-se estável nas demais regiões.

A redução dos analfabetos é registrada também entre pessoas com 60 anos ou mais: de 19,3%, em 2017, contra 20,4%, de 2016. No que diz respeito às regiões, verificou-se um declínio da taxa entre os idosos de 2016 a 2017, com exceção da região Sul do país.

Nível de Instrução

O indicador capta o nível educacional alcançado por pessoa, independentemente da duração dos cursos por ela frequentados. Segundo a pesquisa, mais da metade da população de 25 anos ou mais de idade não concluiu o ensino médio — apenas 46,1% finalizaram a educação básica obrigatória.

Por: R7