Proximidade das eleições acende alerta sobre aumento das Fake News

Não é de hoje que o Fake News, termo americano utilizado para nomear as notícias falsas, faz vítimas, atingiram pessoas de diversas classes sociais e, na ótica de especialistas, serão um dos protagonistas nas eleições deste ano.

Em março deste ano, por meio de um aplicativo de mensagens instantâneas, um anônimo lançou a notícia da morte do ex-deputado estadual e ex-prefeito de Nossa Senhora do Socorro e Areia Branca, Zé Franco. Segundo a mensagem, o político havia sofrido um infarto pela manhã, em sua residência, e teria morrido. O fato foi logo desmentido pelo político por meio de suas redes sociais.

“Quero tranquilizar todos os meus amigos e amigas porque eu estou muito bem de saúde, graças a Deus. E lamentar que pessoas inescrupulosas produzam notícias falsas como esta. Estaremos tomando todas as providências jurídicas cabíveis para evitar que atitudes inconsequentes como esta se repitam, pois foram inúmeras ligações por conta dessa inverdade”, afirmou o ex-político em nota.

Como Zé Franco, muitas pessoas sofrem diariamente com a gama de notícias falsas lançadas na web. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, a notícia falsa se espalha 70% mais rápido que a verdadeira. Para se obter um parâmetro, a pesquisa aponta que cada mensagem verdadeira atinge, em média, mil pessoas, enquanto as falsas mais populares atingem até cem mil pessoas.

Mas se engana quem pensa que essas notícias são disseminadas por pessoas influentes das redes. De acordo com a pesquisa, são os anônimos os maiores disseminadores desse tipo de notícia. O anonimato não se refere aos famosos perfis robôs, eles são coisas distintas. O levantamento afirma que esse tipo de perfil (robô) gera a mesma quantidade de informações tanto verdadeiras, quanto falsas.

A disseminação das Fake News parte do compartilhamento das pessoas que não possuem uma educação tecnológica necessária e, dentro de uma sociedade cada vez mais líquida, ou seja, que demanda mais velocidade no consumo das informações, muitas vezes, se informando a partir das manchetes, isso preocupa.

Outro fator apontado nesse estudo é que, quando o assunto é relacionado à política, o conteúdo se espalha três vezes mais rápido e aí, sim, os robôs entram em ação, acelerando o processo de compartilhamento das informações.

Apesar do alvoroço criado atualmente em relação às Fake News, elas não surgiram no século atual. De acordo com o historiador e professor emérito da Universidade de Harvard (de cuja biblioteca foi diretor), fundador e membro do Conselho da Biblioteca Pública Digital da América (DPLA), Robert Darnton, a Fake News vai surgir com a queda do imperador romano Justiniano, no século VI a.C., mesmo antes da imprensa surgir.

As notícias falsas foram capazes de influenciar várias épocas políticas, bem como criar mitos sobre a Igreja e sobre a época da Idade Média, em vigor ainda hoje por meio de livros didáticos. Na revolução francesa, por exemplo, as notícias falsas foram responsáveis por revoltar populares. Elas eram disseminadas por meio de panfletos.

A aproximação das eleições brasileiras preocupa especialistas em relação ao potencial dessas notícias falsas para direcionar o voto do eleitor. “Existe um grande receio com as eleições que estão por vir, as Fake News foram muito utilizadas nos Estados Unidos e na Inglaterra e não se sabe onde isso vai parar.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) apontou que a mídia brasileira não está preparada para trabalhar com as Fake News. "Para isso é necessário que exista um processo de educação social, com o objetivo de apresentar e fazer com que a população reconheça esse mal”, afirma a professora e mestre em comunicação Juliana Almeida.

Para quem trabalha com marketing nas eleições, o cenário é ainda mais preocupante. De acordo com o jornalista e publicitário Cícero Mendes, o político é o principal alvo de Fake News. “A gente percebe que as Fake News têm como alvo os políticos, acreditamos que haverá uma disseminação de conteúdo muito alta este ano, avaliamos isso desde o ano passado. Os políticos são alvos preferidos desse tipo de notícia, é o chamado marketing do mal, que serve para denegrir a imagem do adversário e confundir a cabeça do leitor. Hoje no mundo da internet as pessoas têm mais facilidade em divulgar mais a mentira, do que a verdade”, comentou o profissional.

Ainda conforme Cícero, aproximadamente 12 milhões de pessoas já afirmaram compartilhar fake news em algum momento da vida, esse número representa cerca de 6% da população brasileira.

Por: F5 News