Frentista diz que PMs trocavam vale-combustível por dinheiro

Uma frentista foi uma das testemunhas de acusação ouvidas na manhã desta segunda-feira, 6, na 6º Vara Criminal do Fórum Gumercindo Bessa (Justiça Militar). Em seu depoimento, ela confirmou que havia um esquema de ‘troca de moedas’ no posto de combustíveis em que policiais militares abasteciam viaturas policiais de maneira irregular.

De acordo com o relato, o suposto esquema funcionou de um ano e meio a dois anos, da seguinte forma: os militares iam ao posto com o ‘valecard’ para, supostamente, abastecer o veículo. No entanto, conforme relatos da testemunha ouvida na manhã desta segunda na Justiça Militar, o valor era debitado do cartão e o militar recebia a quantia em dinheiro, mas sem colocar uma gota de combustível no tanque. Ela confirmou o envolvimento de Vivian Bispo dos Santos, a ‘caixa’ do posto que acumulava diversos vales da Polícia Militar e recebia um percentual pela participação.

A mulher contou que ganhava de Vivian, de duas a três vezes por semana, quantias entre R$ 20 e R$ 30, para “ficar calada”. Apesar de ter afirmado não conhecer o sargento Robertson, principal acusado na suposta fraude, ela pediu para não ser ouvida em sua presença.

Dados necessários para o procedimento como quilometragem, senha do vale e matricula eram passados diretamente para Vívian, segundo a frentista, sem que houvesse participação sua. Ela contou que Vivian teria sido transferida de outra unidade para atuar naquele posto em meados de 2014. Um dos membros do Conselho Militar informou, durante a audiência, que há nos autos informações indicando um prejuízo estimado em R$ 50 mil, mas para o Ministério Público Militar (MPM) acredita que a quantia movimentada seja bem maior.

Não há acusação contra a testemunha, que foi liberada após os depoimentos.

Outras testemunhas

Outras testemunhas foram ouvidas nesta segunda, todas arroladas pelo MPM. Além da frentista, foram testemunhas o major Fernando Ferreira, chefe da Central de Suprimentos e Manutenção (CSM) da PM, e os cabos Pedral e Elvislan, colegas de Robertson, principal suspeito de articular o suposto esquema e que está preso no Presídio Militar (Presmil) desde fevereiro deste ano.

Defesa

O advogado Aloísio Vasconcelos, que atua na defesa do sargento Robertson, pediu, inicialmente, o impedimento do major Victor, integrante do Conselho Militar, para atuar no processo de instrução e sugere a anulação dos atos já praticados por ele uma vez que o militar teria atuado na corregedoria militar e, consequentemente, ter tido acesso prévio aos autos.

No entanto, o pedido não foi acatado pelo juiz. O advogado informou que pedirá a liberdade do sargento Robertson. “Ao final, a defesa fará um requerimento para que seja concedida liberdade ao sargento, pelo simples fato de ninguém ter falado nada contra ele e ter apresentado provas concretas de que ele participara de qualquer fato que venha a ensejar sua permanência no Presmil”.

Fonte: Portal Infonet