Sergipe tem a 2ª maior taxa de desocupação do país

A taxa de desocupação em Sergipe foi de 17,5% no terceiro trimestre de 2018. Apenas o Amapá (18,3%) teve desempenho pior entre as 27 unidades da federação. As menores taxas foram observadas em Santa Catarina (6,2%), Mato Grosso (6,7%) e Mato Grosso do Sul (7,2%). Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) e foram divulgados hoje pelo IBGE.

Os números apontam um cenário de estabilidade na taxa de desocupação entre o segundo e o terceiro trimestres de 2018. Numericamente, houve uma mudança de 0,7 ponto percentual (de 16,8% no segundo trimestre para 17,5% no terceiro trimestre), mas, estatisticamente, a variação não é significativa. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, porém, o desemprego cresceu. A diferença entre a taxa do terceiro trimestre de 2017 (13,6%) e a taxa atual (17,5%) é de 3,9 pontos percentuais.

Em números absolutos, isso se traduz em 44 mil desempregados a mais em um período de um ano. Sergipe hoje conta com 182 mil pessoas desocupadas. Há um ano eram 139 mil pessoas nessa condição. O contingente de pessoas sem emprego subiu 31,5% em doze meses.

A série histórica da PNAD-C, que teve início no primeiro trimestre de 2012, indica que a taxa de desocupação atual é recorde no estado de Sergipe. No terceiro trimestre de 2015, isto é, há cerca de três anos, Sergipe teria o seu melhor resultado na série histórica, com um desemprego de 8,6%. Hoje, portanto, o percentual é mais que o dobro do que foi observado no mesmo trimestre de 2015. Em números absolutos, são 94 mil pessoas a mais (de 88 mil em 2015 para 182 mil em 2018) em situação de desemprego.

Esse cenário levou Sergipe a estar entre os cinco estados com maiores taxas de desocupação em todos os trimestres de 2018. No terceiro trimestre, o estado apresentou o segundo pior desempenho, algo inédito. Taxas de desocupação acima da média nacional são muito comuns nos estados do Nordeste, a região com os maiores percentuais de desempregados no Brasil. Dos cinco estados com maiores taxas de desemprego no terceiro trimestre de 2018, quatro deles estão na região Nordeste.

Entre as chamadas regiões metropolitanas, a Grande Aracaju também teve a segunda maior taxa de desocupação do Brasil. A Região Metropolitana (RM) de Aracaju é composta pelos municípios de Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros. Juntos, os quatro municípios somam quase 950 mil pessoas, o que corresponde a mais de 40% da população sergipana. A taxa de desocupação combinada dos quatro municípios ficou em 18,6% para o terceiro trimestre de 2018, atrás apenas da RM de Recife (18,7%), e logo à frente das RMs de Maceió (18,2%), Salvador (18,1%) e Macapá (17,6%).

Considerando apenas o município da capital, Aracaju (16,9%) ocupou a terceira posição entre as 27 capitais brasileiras. Com cerca de 650 mil pessoas, Aracaju responde por mais de 28% da população sergipana. Manaus, capital do Amazonas, teve a maior taxa de desocupação (17,4%), seguida de Maceió (17,2%). Recife (16,5%) e Salvador (16,1%) completam o ranking das cinco capitais com maiores percentuais de desempregados.

Desocupação é maior entre mulheres

O desemprego é maior entre mulheres do que entre homens em todos os trimestres da série histórica da PNAD-C. No trimestre atual, para mulheres, a taxa de desocupação era de 19,0%, enquanto para os homens a taxa estava em 16,3%. Em termos percentuais, o desemprego na população feminina era 16,6% mais elevado que o desemprego na população masculina

Entre os mais jovens, desocupação ultrapassa os 35%

Tradicionalmente, as pessoas em grupos etários iniciais têm mais dificuldade em ingressar no mercado de trabalho. Em Sergipe, essa dificuldade se traduz em números bastante expressivos: o desemprego entre as pessoas com 14 a 17 anos de idade chegou a 39,2% no terceiro trimestre de 2018. No grupo etário seguinte, de 18 a 24 anos de idade, a desocupação atingiu 37,6%. Nos dois casos, esses são os valores mais altos da série histórica da PNAD-C.

Entre pretos e pardos, desocupação é 50% mais elevada do que entre brancos

Considerando a resposta dos entrevistados para o quesito cor ou raça, percebe-se que as taxas de desemprego para a população preta ou parda é significativamente maior do que para a população branca. Para as pessoas que declararam cor ou raça branca, o desemprego no terceiro trimestre de 2018 ficou em 12,1%. Entre as pessoas pardas, a desocupação sobe para 18,5%, isto é, cerca de 52,9% mais elevada do que a taxa de desocupação para brancos. Já entre os que declararam cor ou raça preta, a taxa de desocupação é ainda mais alta, ficando em 20,6%, algo em torno de 70,2% acima da desocupação para a população branca.

Desocupação só não aumentou entre os que possuem ensino superior completo

Na comparação com o mesmo trimestre de 2017, a desocupação só não teve alta entre as pessoas com diploma universitário. Nesse grupo, o desemprego fica em um dígito (7,5%). Por outro lado, entre as pessoas que iniciaram mas não concluíram o ensino médio o desemprego chegou a 27,6% no terceiro trimestre de 2018.

Fonte: Jornal da Cidade