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Investigação sobre fraudes em Lagarto vazou e provas foram destruídas

O prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro, teve acesso a todos os detalhes da investigação sobre as suspeitas do crime de lavagem de dinheiro, que originou a sua prisão preventiva. A informação foi confirmada pelo próprio Ministério Público de Sergipe (MPE) que deflagrou uma operação para cumprimento das ordens judiciais contra o gestor municipal, seu genro Igor Ribeiro Costa Aragão e os empresários Joel do Nascimento Cruz e Gildo Pinto dos Santos nesta sexta-feira (22). 

Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão na Prefeitura da cidade, no matadouro municipal e nos endereços residenciais dos alvos da operação. Porém, a partir do vazamento das informações, os investigados agiram de forma articulada para destruir o maior número de documentos que comprovassem a materialidade dos crimes pelos quais são investigados.

“O caseiro de uma fazenda do prefeito recebeu uma ligação dele ontem a noite avisando que os policiais iriam hoje lá. Os três endereços residenciais de Valmir estavam vazios e nos celulares (dos investigados) foram identificadas conversas determinando a eliminação de provas”, disse o promotor Bruno Melo, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO).

Durante a operação, os investigadores também descobriram que o gabinete do prefeito, na sede do Poder Executivo, foi esvaziado há dois dias. E na cidade, circulou a informação por meio de redes sociais de que a operação seria deflagrada na segunda-feira (18). 

Mesmo com a antecipação da operação para esta sexta, os promotores não conseguiram cumprir os quatro mandados de prisão preventiva deferidos pelo desembargador Diógenes Barreto, da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ). No final da manhã, Valmir Monteiro e Igor se apresentaram à Polícia Civil e prestaram depoimento no Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap).

Lavagem de Dinheiro

A partir das investigações sobre o desvio de recursos do matadouro municipal, que levaram ao afastamento de Valmir Monteiro em novembro do ano passado, o Ministério Público instaurou novo procedimento para apurar a prática dos crimes de peculato, sonegação e lavagem de dinheiro.

Dentre os fatos já apurados e que mais chamam a atenção dos promotores do Gaeco estão a aquisição de um imóvel em Aracaju, feita pelo genro do prefeito, Igor Ribeiro, em 2017. O apartamento custou R$ 465 mil reais e foi pago em quatro parcelas com dinheiro em espécie. “Essa é uma operação incompatível com a renda de Igor, que possuía um cargo na Prefeitura, com remuneração mensal de R$ 1.300,00”, destacou Melo.

No município de Lagarto, Igor comprou uma fazenda com mais de 140 hectares que, conforme documentação apreendida pelos investigadores, teria custado R$ 300 mil, mas segundo o promotor Jarbas Adelino, está avaliada em R$ 2 milhões.

Outra movimentação suspeita, apresentada pelo Gaeco, refere-se à sociedade da empresa JML Comércio Atacadista de Fumo, que pertence aos empresários Joel do Nascimento Cruz e Gildo Pinto dos Santos, considerados foragidos da Polícia. Segundo o MP, há fortes indícios de que o prefeito Valmir Monteiro seria um sócio oculto.

“Gildo é um caminhoneiro, mas tem um cargo fantasma na Prefeitura de Lagarto e 50% de participação na sociedade”, afirmou o promotor Bruno Melo, acrescentando que a investigação também apontou o uso de bens da JML sem qualquer tipo de contrato de locação, a exemplo de uma caminhonete usada por Valmir Monteiro, “além de transações suspeitas que estão sob sigilo bancário”.

Os promotores pretendem concluir a análise da documentação apreendida na Operação Leak até o meio da próxima semana para, posteriormente, oferecer denúncia contra os investigados, pedindo novamente o afastamento do prefeito Valmir Monteiro.

Após exames no Instituto Médico Legal (IML), o prefeito e seu genro foram levados para o Presídio Militar (Presmil) no começo da tarde. 

Respostas

No Deotap, Valmir e Igor permaneceram em silêncio. Ao sair do Departamento, o prefeito disse ser inocente. "Deus sabe que eu não fiz nada", declarou Valmir. Os advogados que atuam na defesa dos investigados também não conversaram com a imprensa.

Já a Prefeitura de Lagarto divulgou nota na qual afirma que todos os servidores “atuaram de forma a garantir total acesso” à documentação que era alvo da operação. “Ao final da ação, foi comunicado pelos agentes que apenas a documentação do contrato da Prefeitura com uma empresa denominada CAOL foi apreendida”, diz.

Na nota, a administração municipal também declara que voltará a “prestar esclarecimentos com total transparência e respeito a partir do desenrolar dos fatos”.

Fonte: Portal F5 News