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Soldado da PM em Sergipe tem salário líquido de R$ 1.800

Em 2016 a Associação Nacional de Entidades Representativas de Policiais Militares e Bombeiros Militares (Anermb) divulgou um índice dos salários dos servidores do setor e Sergipe aparecia em terceiro lugar entre os mais baixos do país, ficando abaixo apenas da Paraíba e Espírito Santo. Três anos depois, de acordo com o advogado militante da área e conselheiro da Ordem dos Advogados (OAB) de Sergipe, Márlio Damasceno, os salários permanecem defasados e sem qualquer tipo de reajuste linear, com correção da inflação.

O salário da categoria já foi um dos maiores do país em 2011, durante a gestão do ex-governador Marcelo Déda. Ficava atrás somente de Brasília, que em 2016 ainda apresentava o maior piso salarial da Polícia Militar no Brasil.

“Naquela época, os profissionais que faziam os famosos “bicos”, para ter uma renda extra, largaram suas atividades e se dedicaram somente à PM, pois o salário compensava. Hoje, a situação é muito pior. Muitos militares que tinham carros e casas financiadas estão devolvendo os bens por falta de condição de pagamento. Tudo aumentou, mas nem o ticket refeição teve reajuste”, conta Márlio.

Ainda segundo o advogado, os mais afetados com os longos sete anos sem reajuste são os praças, já que oficiais e coronéis têm salários maiores.

“Mas, mesmo assim, até quem tem salários maiores estão sendo afetados. De fato, afeta mais a base da polícia, os praças. Quanto maior a patente, sente menos as perdas. Mas os praças, que vão de soldados a subtenentes, sentem mais, porque o arrocho é maior. Com aumento da inflação, eles não tiveram sequer a reposição. E o fato se agrava”, disse.

Márlio acrescenta ainda que já foi ajuizado um processo, questionando sobre a falta de reajuste linear para os salários dos PMs. “O Tribunal de Justiça de Sergipe deu parecer favorável, e o Estado perdeu por unanimidade, porque os desembargadores entenderam que tinha que cumprir a reposição. Isso aconteceu em 2017. No entanto, o Estado recorreu e o Supremo Tribunal Federal concedeu uma liminar para que o Estado não pagasse, com alegação de questão financeira e crise que atravessa Sergipe”, conta Márlio.

Segundo o advogado, a tropa teme permanecer mais longos anos sem receber o reajuste linear, direito concedido por lei. “O Governo vai recorrer aos empréstimos do Governo Federal, e para isso deverá cumprir exências, e uma delas deve ser o não reajuste de salários dos servidores públicos. Se constar essa exigência, os servidores vão ficar mais anos sem reajuste”, ressalta.

BICOS

Um sargento da Polícia Militar, que prefere não ser identificado, diz que tem outro emprego (na informalidade) como segurança de uma escola. “Pelo menos 40% dos praças fazem ‘bico’ e o comando sabe. Conheço muitos que fazem bico de segurança em mercearias e supermercados, arriscando a vida por de R$ 1.200, mas nós precisamos dessa renda. Pode olhar no Portal da Transparência, um soldado de polícia de 3ª classe recebe um salário líquido abaixo de R$ 2 mil, é uma vergonha”, diz indignado o policial.

O que o sargento denuncia, realmente, pode ser comprovado no Portal da Transparência Sergipe. Diminuindo as gratificações natalinas (que estão parceladas), o salário líquido de um soldado de polícia de 3ª classe é de R$ 1.779,44 (veja foto). Também exposto no Portal da Transparência, o contracheque de um coronel ultrapassa o valor bruto de R$ 36 mil, quase o teto máximo de um servidor público.

SEPLAG

Foi solicitado à Secretaria Estadual do Planejamento (Seplag) a lista com os salários de todas as patentes de polícia, já que não consta no site da Transparência, no entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

Fonte: Jornal da Cidade