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Policiais militares de Sergipe estão sem assistência psicossocial há sete anos

Os policiais militares e bombeiros possuem uma das profissões que mais exigem da saúde mental. Por conta da atividade laboral de risco, são muitos os transtornos que esses trabalhadores passam no serviço, diariamente enfrentando situações extremas que demandam preparação física e, principalmente, emocional.

Um Núcleo de Assistência Psicossocial da Polícia Militar em Sergipe foi criado em 2005 para atender a policiais e bombeiros militares com problemas de cunho emocional, mas ele está inativo desde maio de 2012. A crítica foi feita pela Associação dos Militares de Sergipe (Amese), que ingressou com uma ação judicial para que os quase cinco mil militares do efetivo voltem a ter acesso ao atendimento, obrigando o Estado de Sergipe a reativar o Núcleo.

Inicialmente, o serviço funcionava em uma sala do Hospital da Polícia Militar, depois passou a fazer o atendimento em uma casa alugada na Vila Militar no bairro Suissa. Segundo o sargento Jorge Vieira, estava disponível para atender a todos os operadores da segurança pública que se sentiam necessitados de assistência social e psicológica.

"O Napss procurava os policiais, buscava informações, os convencia a se tratar. Tivemos melhora considerável da saúde mental dos policiais. Temos muitos profissionais bons. O militar sadio presta um melhor serviço à sociedade", ressalta o presidente, alegando que atualmente os militares estão sem estrutura de assistência adequada no estado.

Segundo ele, um grande número de policiais e bombeiros militares procuram a Amese queixando-se de problemas como depressão, transtorno de ansiedade, estresse e outros de ordem emocional e social. "São muitos militares, uma quantidade considerável, afastados (do serviço por dispensa médica de caráter psiquiátrico) e outros que não são identificados com esses problemas", diz Vieira.

O F5 News conversou com um ex-integrante da equipe do Napss na época, que preferiu não se identificar. Ele conta que existia na instituição um grupo formado por 30 policiais que sofriam de alcoolismo e eram atendidos. Eram cerca de 12 profissionais, policiais militares, compondo direção e equipe com formação em psicologia, psiquiatria e serviço social, que desenvolviam voluntariamente atividades psicossociais para os usuários militares e também dependentes. Na época, uma média de 800 a mil pessoas chegou a ser atendida.

“Tinham os casos de atendimentos individuais e assistenciais que eram feitos em domicílio, fazíamos visitas constantes. Eram demandas espontâneas, as pessoas poderiam procurar, de encaminhamentos e também busca ativa. Houve vários casos que tínhamos que fazer a busca e uma investigação de alguma situação num batalhão, de alcoolismo, relacionada à estrutura familiar e social”, ressalta. Mas, em 2012, todos os profissionais foram transferidos para outras unidades operacionais.

Fonte: F5 News