.

Clonagem do Whatsapp é golpe recorrente

A mensagem chega despretensiosa e é enviada por um amigo pelo WhatsApp: “Bom dia. Tudo bem com você?”. Até aí, tudo bem. Trata-se de alguém próximo, onde há pouco tempo havia mantido contato. De repente, o emissor informa que precisa de um favor do qual está constrangido de solicitar. O receptor, do outro lado da tela do celular, preocupa-se e pede para que o “amigo” fale do que se trata. É quando é solicitado um empréstimo no valor entre R$ 1 mil a R$ 3 mil, para ser devolvido até dois dias depois, com juros.

No caso da sergipana Daniela Mendonça, ao receber a mensagem com o pedido de empréstimo de R$ 3 mil ficou preocupada com a suposta amiga. Ela chegou a pensar em fazer o depósito. No entanto, suspeitou da ação e não efetivou. Final feliz para Daniela, pois se livrou de cair no golpe realizado via clonagem de WhatsApp: um dos mais praticados ultimamente.

Uma pesquisa levantada pela empresa de segurança digital Psafe, revelou que no Brasil cerca de 23 pessoas têm o aplicativo de WhatsApp clonado a cada dia. O índice foi realizado após o levantamento com 12.680 pessoas entre 31 de julho e 13 de agosto deste ano. Possivelmente, boa parte dos sergipanos já ouviram falar sobre o caso e muitos também já devem ter recebido a mensagem com o pedido do empréstimo.

Os transtornos são ainda maiores para quem tem o WhatsApp clonado. Rafaela Costa é corretora e teve uma série de problemas ao ser vítima do golpe. Ela conta que passou sete dias sem a rede social, que é uma das principais ferramentas de trabalho, e ainda passou pela situação constrangedora que envolveu, além de amigos e familiares, inúmeros clientes com quem mantinha contato via WhatsApp.

“Tudo começou quando eu fiz um anúncio na OLX, e três pessoas vieram falar comigo. Quando eu estava conversando, o telefone tocou com o DDD de São Paulo. Atendi e a pessoa se identificou dizendo que era da OLX e que estava entrando em contato a respeito do meu anúncio, informando que ele estaria inativo porque eu demorei a responder algumas solicitações via chat. Por coincidência, o meu marido tinha publicado também um anúncio e disse que o site estava ruim. O atendente foi super simpático, e disse que ia me mandar um código para reativar o meu anúncio. Eu afastei o telefone do ouvido e vi o código chegar por SMS. Eu informei o código para ele, desliguei e quando abri o aplicativo do WhatsApp tinha sumido tudo”, detalha a vítima.

Com acesso à rede de Rafaela, o estelionatário imediatamente inicia as tentativas, com pedido de empréstimos para todos os contatos salvos e abertos no aplicativo. “São muitas vítimas ultimamente e nós observamos que se trata de engenharia social. Por exemplo, quando você faz um anúncio, em regra, informa número de telefone. Então eles pegam aquele número, entram em contato como se fosse da administração do site, solicitam o código, que é o que bloqueia o whatsapp no celular da vítima, e libera no dispositivo móvel do estelionatário, que passa a utilizar, mantendo contato com toda a lista. Não é algo específico da OLX ou de qualquer outro site. É que no momento em que disponibilizam o telefone, eles agem como se fossem do site, isso dá uma credibilidade”, explica a delegada de Crimes e Defraudações Cibernéticas, Rosana Freitas.

Ainda conforme a delegada, as investigações são realizadas pela Polícia de Serviço Interestadual (Polinter), pois apesar das vítimas serem do Estado de Sergipe as contas para depósito são de outros estados, o que tipifica que os criminosos estão atuando de outras regiões. Exatamente como acontece com o golpe de venda de veículos pela OLX.

“Aqui as vítimas são ouvidas, nós juntamos comprovantes, toda a documentação necessária e enviamos para a delegacia onde se deu a consumação da fraude, que é onde existe a conta nas quais foram depositadas as quantias. Em alguns casos temos depósitos realizados. Em outros, apenas a tentativa de estelionato, que é quando eles invadem e não chega ninguém a depositar”, acrescenta a delegada.

Diante dos constantes golpes aplicados via internet, a Polícia Civil disponibilizou nas redes sociais um material informativo, com o passo a passo de como os consumidores podem se proteger desse tipo de golpe. A polícia pede para que as pessoas se mantenham informadas, busquem aprender mais sobre a internet, como funciona, quais as possibilidades do uso e, principalmente, quais os riscos. Além disso, salienta a importância de educar os filhos sobre como se comportar no ambiente online, sempre sob supervisão.

“Não acredite em tudo que vê e/ou lê. Desconfie de pessoas que você não conhece pessoalmente ou de ofertas muito atrativas. E não compartilhe notícias faltas ou cuja veracidade você desconheça”, alerta o anúncio divulgado nas redes sociais da SSP.

A terceira dica é sobre o fornecimento de informações por telefone, o que não deve ser feito. O indivíduo deve evitar a publicação de informações pessoais, como, por exemplo, nome completo, número de telefone, local onde mora, estuda ou trabalha. Além disso, a polícia destaca no anúncio para não enviar “nudes”, vídeos ou imagens comprometedoras, para pessoas desconhecidas, e também não é indicado o armazenamento desse tipo de arquivo nos dispositivos.

“Mantenha seu sistema operacional atualizado, bem como os navegadores e aplicativos, inclusive o antivírus. Não instale softwares desconhecidos e utilize bloqueador de pop-ups. Não acesse dados confidenciais através de redes wi-fi públicas. Utilize senhas complexas, evite repeti-las em diversos serviços e altere com frequência. Não armazene senhas em seu navegador. Sempre que possível utilize dupla autenticação de segurança nos serviços web que você utiliza, inclusive no WhatsApp”, orienta a PC.

Além disso, o alerta pede ainda para que os consumidores evitem realizar compras em sites desconhecidos que ofertam produtos com preço abaixo do praticado no mercado, principalmente se o pagamento for através de depósito em conta de outro Estado ou boleto bancário. E para que não efetuem compras através de links inseridos em anúncios publicitários. “Prefira acessar o site oficial da loja online através da barra de endereço do navegador. Cuidado ao utilizar internet banking. Prefira efetuar transações através do aplicativo instalado em seu dispositivo móvel (celular). Em transações entre particulares, evite efetuar o pagamento antes de ver ou receber o produto e evite entregar o produto antes de confirmar o pagamento. Pesquise referências do vendedor antes de fechar um negócio”, conclui.

Se ainda assim a pessoa for vítima de um crime praticado pela internet, é importante adotar algumas práticas. A primeira é fazer um “print” e manter todas as conversas relacionadas ao fato, sendo que o print deve exibir a URL, endereço eletrônico, da página ou perfil e o número de telefone, quando este for o caso. A pessoa deve ainda guardar os comprovantes de depósito, e-mails etc. E procurar a delegacia mais próxima para denunciar o fato.

Fonte: Jornal da Cidade