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PF diz que navio grego é suspeito de derramar óleo no Nordeste e faz buscas em empresas

A Polícia Federal cumpriu, nesta sexta-feira (1º), mandados de busca e apreensão na Lachmann Agência Marítima, que seria representante do navio Bouboulina - suspeito de derramar ou vazar o óleo que atingiu o litoral nordestino. A sede da empresa fica no Rio de Janeiro.

Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte, onde está instaurado inquérito para investigar a origem das manchas encontradas em várias praias do Nordeste desde o final de agosto.

Em nota, a Lachmann afirma que não é alvo da investigação da PF, e que foi solicitada para colaborar com as investigações. Isso porque, segundo alega, em 2016 atuou como prestadora de serviço para a empresa dona do navio suspeito. "A agência marítima é uma prestadora de serviços para as empresas de navegação, não tendo nenhum vínculo ou ingerência sobre a operacionalidade, navegabilidade e propriedade das embarcações", diz a Lachmann no comunicado à imprensa.

O navio suspeito, de bandeira grega, se chama Bouboulina e pertence à Delta Tankers LTD, cujo agente marítimo em 2019 no Brasil foi a Lachmann. De acordo com a Marinha, a inteligência da PF concluiu que "não há indicação de outro navio (...) que poderia ter vazado ou despejado óleo, proveniente da Venezuela".

Outra empresa, Witt O Brien's, que mantém relações comerciais com a Lachmann, também é alvo da operação da PF. Em nota, a Witt disse que o navio alvo da investigação ou seu armador "jamais" foi seu cliente no Brasil, e que o país não exige que navios tenham contratos pré-estabelecidos para combate a emergências. "A Witt O´Brien´s americana é uma das grandes provedoras desse tipo de serviço de prontidão para gerenciamento de emergências em navios nos Estados Unidos, porém seus contratos não guardam nenhuma relação com nossa empresa no Brasil", diz o comunicado.

As investigações mostram que:

Em 15 de julho, o navio-tanque grego atracou no Puerto José (Venezuela) e foi carregado com petróleo durante três dias.

Em 29 de julho, imagens de satélite detectaram derramamento de óleo a 733,2 km a leste do estado da Paraíba.

O sistema de rastreamento da embarcação estava ligado e confirma a passagem pelo ponto de origem do óleo.

O navio fez uma parada na África do Sul (a data não foi informada).

Fonte: G1